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‘Grito’ de genialidade de um velho em tempos modernos

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Depois do lançamento de 2007, Black Rain, que dividiu opiniões entre fãs e crítica, Ozzy volta a atacar em 2010 com Scream.

Para a empreitada ele continuou com o mesmo produtor de Black Rain, Kevin Churko, mas deu uma sacudida na banda, que agora com conta com dois novos membros, o guitarrista grego Gus G e o baterista Tommy Clufetos. O time é completado pelo baixsta Rob “Blasko” Nicholson e pelo tecladista Adam Wakeman.

O album é bastante pesado, conseguindo reunir elementos de Ozzy Osbourne solo, Black Sabbath e uma bem-vinda modernidade ao som.

 

 

Let It Die: O CD não poderia ter uma abertura melhor. Uma faixa com diversas mudanças rítmicas, que mostra que a banda está com vontade de mostrar serviço. Gus G já começa mostrando a que veio, com bases firmes e um solo muito melódico. A voz de Ozzy começa o som com um interessante efeito de distorção, que desaparece no momento em que surge o refrão, muito bom por sinal. Com mais de 6 minutos, a música empolga do começo ao fim.

 

Let Me Hear You Scream: Essa já é bastante conhecida por se tratar do primeiro single. É uma música rápida, feita para empolgar arenas com seu refrão fácil, pegajoso e extremante cativante. A voz de Ozzy é o destaque, forte e bem colocada, mostrando uma empolgação que há tempos não se ouvia na voz do Madman. Sem dúvida, a melhor escolha para tocar nas rádios roqueiras de todo o mundo e ficar por muito tempo entre as mais executadas.

 

Soul Sucker: Aqui voltamos ao som feito no Black Rain. Afinação baixa, riffs pesados e quase monocórdicos que remetem ao New Metal. Modernidade à parte, podemos ouvir claramente influências de Black Sabbath, principalmente na parte em que a música cresce e fica mais rápida. Uma boa música com bom refrão, mas um dos momentos menos inspirados do CD.

 

Life Won’t Wait : Violões e guitarras pesadas se misturam neste que é um dos momentos mais belos do CD. O trabalho de Gus G é soberbo e a melodia vocal é preciosa. Essa mistura de Pop e Metal agrada e muito. Ozzy sempre faz isso com maestria.

 

Diggin Me Down: Estamos falando de uma das melhores composições da carreira do Madman. A introdução com violões remete diretamente a Diary Of A Madman. O que vemos depois é um riff que parece ter sido tirado da sacola de Tony Iommi. A banda arrebenta enquanto Ozzy, com um registro mais próximo do que estávamos acostumados nos anos 80 e 90, canta sua conversa (não muito amigável) com Jesus Cristo. A melodia final é espetacular! Só essa música já vale o investimento.

 

Crucify: Modernidade, bela melodia e bom trabalho de guitarras. A música começa muito bem, mas se perde um pouco depois. Ficou a impressão de um pouco de preguiça da produção. Todos os elementos pra ser uma grande música estão ali, mas faltou uma ‘amarração’ melhor.

 

Fearless: Com peso e empolgação, essa música foi feita para ser tocada ao vivo. Mais um refrão sob medida para ser cantado nos shows. Não tem a genialidade de Diggin Me Down, porém não deixa a ‘peteca’ cair.

 

Time: Outro grande momento. Mais uma bela balada com a melodia mais bonita do CD. A banda alterna momentos de peso e suavidade, com muita dinâmica. Os arranjos de Gus G. são memoráveis. Seu melhor momento no CD. E o que falar do Ozzy? Que interpretação intensa e maravilhosa. O ‘homem’ ainda tem muita emoção pra cantar!!!I

 

Want It More: O riff principal lembra I’m Broken, do Pantera! Essa é uma das músicas em que a banda é mais exigida. Começa com uma melodia que nos remete a algumas coisas do Down to Earth. O tempo abre no refrão, que um dos mais legais do CD, numa ‘praia’ mais Hard. Poderia estar facilmente em alguma música do No More Tears. Gus G. mostra toda a sua técnica em um solo rápido e intrincado. O grego não está de brincadeira!

 

Latimer’s Mercy: O momento mais “down” do CD. Quem manda nessa música é o velho Ozzy. Sua interpretação dá medo. Agressivo e melodramático ele dá show. Em alguns momentos, ouvimos aquele registro “pastoso” bastante usado no Diary e no Ozzmosis. Outro destaque é o Blasko com uma linha de baixo bem expressiva. Esse cara gosta de ouvir o baixo em primeiro plano. Bem legal.

 

I Love You Al : Em meio a violões e sintetizadores Ozzy agradece aos fãs com voz e melodias melancólicas. Seria seu último registro? Bem ele diz que vai fazer mais um antes de encerrar a carreira. Tomara!!!

 

Considerações finais: Com a banda reenergizada, Ozzy lançou seu trabalho mais relevante desde No More Tears. As críticas pelo mundo têm sido positivas (coisa que não aconteceu com Black Rain) e o trabalho de marketing muito bem feito. É o primeiro passo para Ozzy se livrar do estigma criado no The Osbournes. Afinal, todos sabemos que no fundo ele ainda é o Príncipe da escuridão! Ah, Gus G não deixa nada a desejar, apesar da estreia. Muitos se mostraram preocupados para a queda de rendimento da banda depois da saída de Zakk Wylde, mas o grego apresentou com maestria seu primeiro trabalho ao lado de Ozzy.Altamente recomendado!

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