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Biografia

Escrita por Fabiano Negri e Luís Fernando Zeferino

O começo de tudo

Três de dezembro de 1948. Um dia normal na velha e violenta Birminghan, Inglaterra. Foi nesta data que nasceu o futuro mestre do Metal, John Michael Osbourne, filho de John Thomas Osbourne e Lillian Osbourne. O garoto passou toda sua infância em uma pequena casa com um único quarto que divide com seus cinco irmãos. A vida para eles não era nada fácil. Seu pai trabalhava à noite como operário e sua mãe tinha que trabalhar durante o dia para completar a renda e sustentar os seis filhos.

Na escola, onde ganhou seu apelido ainda criança, a vida de Ozzy também não era nada fácil. A dislexia lhe trazia muita dificuldade e isso, unido a seu gênio forte, fazia com que estivesse sempre metido em brigas e confusões. Foi então que Ozzy teve o primeiro contato com Tony Iommi que, numa dessas brigas, chegou a dar também uns cascudos no colega.

Birmingham era uma cidade industrial que não oferecia muitas possibilidades em termos de diversão. Aos 15 anos de idade, o disléxico Ozzy decide abandonar seus estudos e, sem muita opção diante das dificuldades financeiras de sua família, resolveu trabalhar. Seu primeiro emprego foi como encanador, mas ele não demorou a perceber que não era sua praia. Então, com o auxílio de sua mãe, Ozzy conseguiu uma vaga para testar buzinas na fábrica em que ela trabalhava. A função em pouco tempo o deixou atordoado, levando-o novamente a desistir e a aceitar a bizarra vaga de “decorador de defuntos” em um crematório local. Logicamente, esse emprego também não durou muito.

Desiludido, decidiu partir para um outro negócio: o roubo. Dentre suas investidas frustradas no ramo, o já manguaçeiro Ozzy tentou roubar uma TV, mas não agüentou com o peso e, ao tentar pular um muro com o aparelho, despencou para o outro lado, ficando estatelado no chão tempo suficiente para que a polícia chegasse. Em outra ocasião, já “mais experiente”, Ozzy tentou roubar alguns objetos, prevenindo-se para que suas digitais não fossem identificadas, utilizando luvas… com as pontas dos dedos cortadas! Isso lhe rendeu duas semanas de prisão (e dizem que HOJE Ozzy está lesado…). Foi dentro da prisão que Ozzy fez suas primeiras tatuagens, O-Z-Z-Y nos dedos da mão e rostos “alegres” nos joelhos. Sua estadia na prisão serviu-lhe de lição e ele resolveu abandonar a carreira no crime.

Ozzy cantor

Depois de tantas tentativas frustradas de se enquadrar em um emprego convencional e convencido de que seu futuro não estava no crime, Ozzy decidiu apostar em algo realmente diferente e resolveu ser cantor. Grande fã dos Beatles desde pequeno, quando acompanhava a carreira do quarteto pela televisão, e iludido com o luxo conquistado por grandes artistas, ele estava convencido de que esta poderia ser a única maneira de se dar bem na vida. Seu pai, a quem Ozzy sempre demonstrou muita gratidão, o apoiou e conseguiu comprar a duras penas seu primeiro equipamento de voz.

Sua primeira banda, o Approach, foi montada com amigos da escola, mas Ozzy sentiu que não era exatamente a sonoridade que procurava e continuou sua busca. Pregou um cartaz em uma loja de instrumentos que dizia: “Ozzy Zig, vocalista, procura banda para cantar “. Dias depois, um desconhecido chamado Terence Michael Joseph Butler, conhecido por seus amigos por Geezer, viu o cartaz e acabaria encontrando o vocalista que precisa para sua banda, Rare Breed, na qual tocava guitarra e que não durou mais do que alguns ensaios. Ozzy continuava, então, sua busca por uma banda, mas agora acompanhado de Geezer.

Aquele anúncio chamou também a atenção de Tony Iommi que, junto com o baterista Bill Ward, procurava por um vocalista. Ele suspeitou que o Ozzy do cartaz fosse o mesmo que ele conhecera na escola e as lembranças não eram muito favoráveis ao vocalista. Além de suas brigas quando crianças, Tony Iommi tinha ainda em sua memória uma ocasião em que Ozzy se candidatou a vaga de vocalista em uma banda na escola em que ele era o guitarrista e o resultado foi desastroso. Mesmo assim, resolveu assumir o risco e, junto com Bill, foi à casa Ozzy, que o esperava junto com Geezer para discutirem o que fariam.

Não foi nada fácil para Ozzy aceitar Tony Iommi e vice-versa, mas o destino, Geezer e Bill assim o quiseram. Assim, nascia em 1968 o Polka Tulk Blues Band, com Geezer já no contrabaixo e com outros dois membros, o guitarrista Jimmi Philips e o saxofonista Alan Clark. A banda começou a se apresentar em casas noturnas na região de Birminghan e em breve reduziria seu nome para Polka Tulk. Na mesma época, decidiram que deveriam ser um quarteto e em seguida mudaram de nome novamente, passando a se chamar Earth. Este nome rendeu uma das primeiras curiosidades sobre a banda. Havia na mesma época outra banda chamada Earth excursionando pela Inglaterra e uma das casas de show agendou um show com o que viria a se tornar o Black Sabbath certa de que estava contratando aquela outra banda, que tinha uma sonoridade bem diferente. Isso causou uma grande confusão tanto para a casa como para o público. Ficou claro que era necessário arrumar um outro nome para a banda.

Black Sabbath

Um dia, Geezer Butler, ao passar em frente a um cinema que ficava em frente ao local em que ensaiavam, viu um cartaz de um filme de terror, dirigido pelo italiano Mario Bava, com o título de “Black Sabbath”. O nome não lhe saiu da cabeça e, inspirado por um conto do ocultista Denis Wheatley, que falava sobre um sonho com uma figura obscura ao pé da cama, acabou escrevendo a “Black Sabbath”.A fila que se formava na entrada do cinema fez surgir uma questão entre os músicos da banda: se as pessoas gastavam dinheiro para assistir filmes que lhes causava medo, será que o mesmo funcionaria com a música funcionaria? Definida a nova tendência que o grupo adotaria, o nome Black Sabbath serviu como uma luva.

A ousadia e o peso do quarteto logo começaram a chamar a atenção do público, mas nem isso tornou as coisas mais fáceis para a banda, que se apresentava por cachês baixíssimos e batalhava para conseguir gravar sua primeira demo.

A sexta-feira 13 de fevereiro de 1970 foi um dia muito comemorado por eles, pois lançaram pela Philips seu primeiro disco, batizado “Black Sabbath” e gravado em apenas 2 dias! Ozzy levou o disco para casa e com orgulho mostrou para o pai: “Olha só, minha voz num pedaço de plástico!”. Seu pai ouve com atenção e pergunta sem pestanejar: “Filho, você tem certeza de que só tem fumado cigarros?”. O comentário do pai de Ozzy até que tinha fundamento. O trabalho registrado nesse disco era algo no mínimo inesperado, com uma sonoridade pesada como nunca havia se visto.

O disco foi um sucesso, considerando que se tratava de uma banda estreante. Na semana do lançamento, atingiu 5 mil cópias vendidas e logo ocupou o 23º lugar nas paradas britânicas, subindo em seguida para a 8ª posição. A grande surpresa para a banda foi a recepção do álbum nos EUA. “Black Sabbath” manteve-se nas paradas americanas por dezoito meses, levando a banda a conseguir seu primeiro disco de platina.

Em setembro 1970 sai o disco que é considerado pela maioria o maior clássico do Black Sabbath, “Paranoid”, que lhe rendeu sua primeira turnê mundial e elevando o quarteto ao posto de uma das maiores bandas da época. “Paranoid” foi o único álbum do Black Sabbath a alcançar o primeiro lugar nas paradas britânicas e fez também grande sucesso nos EUA, o que resultou na primeira visita do grupo no país.

Após este ano, o Black Sabbath lançou discos e mais discos que resultaram em gigantescas turnês, todos eles grandes álbuns que figuram até hoje entre as listas dos maiores discos de rock de todos os tempos. “Master of Reality” (1971), “Volume 4” (1972), “Sabbath Bloody Sabbath” (1973) e “Sabotage” (1975). (vide Discografia)

Depois de tudo isso, as coisas iam bem, já que a banda era um grande sucesso. Entretanto, alguns problemas internos começaram a desgastar o grupo. O líder da banda era Tony Iommi, mas Ozzy sentia que diante do público ele é que deveria ocupar esse posto. Assim, começou a ficar difícil para ele acatar as decisões de Iommi. Esse duelo de egos era tão drástico que nos anos 70 Tony Iommi exigia que nas apresentações da banda ele ficasse posicionado no centro do palco, contrariando a clássica formação, que perdura por anos, mantendo sempre o vocalista no centro. O mal-estar que essas questões causavam atingiu o ápice em 1977, quando faleceu o pai de Ozzy. Ele, então, resolveu deixar a banda e se afundar de vez na bebida e nas drogas (que já tinham presença sempre constante na história do grupo).

O Black Sabbath continuou com o vocalista Dave Walker (ex-Savoy Brown), que foi demitido após uma única apresentação ao vivo em um especial da BBC com uma versão de “Junior’s Eyes”. A banda se preparava para gravar um novo disco e chamou Ozzy de volta a poucos dias de entrarem em estúdio. Ozzy aceitou voltar, mas passou a discordar da tendência jazzística que a banda tomava e se recusou a aproveitar as melodias que lhe foram apresentadas. Mesmo assim, começaram as gravações do que seria o último álbum com Ozzy no Black Sabbath, “Never Say Die”. Foram cinco conturbados meses no estúdio. A banda não entrava em acordo, sem contar que o consumo excessivo de drogas estava afetando o andamento do trabalho. Quando foi lançado, o disco foi considerado desconexo pela imprensa e o resultado nas paradas não agradou a gravadora. A turnê de promoção do disco foi massacrada pela mídia, que julgou a performance dos músicas “cansada e sem inspiração”.

Em 1979, cada vez mais bêbado e drogado no palco, Ozzy esquecia as letras das músicas e desafinava cada vez mais, até que Iommi, descontente com o vocalista e esgotado pela pressão da gravadora, resolveu demiti-lo, usando como escudo o melhor amigo de Ozzy, Bill Ward, que fficou encarregado de levar a Ozzy a notícia da demissão.

Foi um duríssimo golpe para Ozzy, que acabou ficando por cerca de seis meses trancado num quarto de hotel, gastando todo o seu dinheiro em pizza e cocaína. Nesse período, Ozzy deixou na Inglaterra sua então esposa e seus dois filhos. Alguns chegaram a cogitar até mesmo que estivesse morrido dentro do hotel, mas uma nova etapa da biografia deste grande mestre ainda estava por ser escrita.

Obs.: Uma excelente e completa biografia do Black Sabbath em português pode ser encontrada nas edições 105, 106 e 107 da revista Roadie Crew. A matéria é assinada pelo radialista Vitão Bonesso.

Sharon e a virada de mesa

Filha de Don Arden, então empresário do Black Sabbath, Sharon conheceu Ozzy em 1974, aos 18 anos, quando trabalhava como recepcionista na agência do pai, a Arden Organization. Porém, seu contato com Ozzy começou efetivamente nesta fase em que ele se encontrava deprimido e consumido pelas drogas após a saída do Black Sabbath. Um amigo de Sharon precisava de dinheiro e Ozzy devia a ele 500 dólares. Ele pediu que ela fosse ao hotel em que Ozzy se encontrava para tentar receber o dinheiro. Neste encontro, Sharon ficou um pouco transtornada ao perceber o que estava acontecendo com Ozzy e sentiu que aquilo não terminaria bem. Ela acreditava que ali existia um talento sendo desperdiçado e como estava procurando uma oportunidade de trabalhar por conta própria para sair da sombra do pai, propôs a Ozzy que fosse sua empresária e que ambos tentassem uma nova fase em sua carreira. Ali começou não só uma parceria profissional, como também um relacionamento que duraria até os dias de hoje.

Randy Rhoads

Ozzy sabia muito bem que para ter uma boa banda de rock era preciso ter um bom guitarrista e, além disso, um bom parceiro para as composições, já que ele sozinho não conseguiria compor um disco inteiro. Para agravar a situação, Ozzy tinha em sua sombra os anos em que esteve ao lado do lendário Tony Iommi, sem dúvida um dos mais criativos e influentes guitarristas de rock de todos os tempos. Era aí que morava a grande dificuldade, pois todos os guitarristas que se submetiam às audições pensavam que, para agradá-lo, deveriam soar exatamente como seu velho parceiro. Depois de muitos testes, e já achando que não conseguiria encontrar alguém como ele gostaria, entrou na vida de Ozzy um jovem guitarrista da Califórnia que já havia gravado dois discos, quase sem repercussão, com a banda Quiet Riot. O nome dele era Randy Rhoads. Ele sabia que Ozzy procurava por um guitarrista, mas estava com receio da audição, pois, na realidade, não gostava do som do Black Sabbath – e mal sabia ele que esse se tornaria seu grande trunfo. Porém, ao mesmo tempo viu em Ozzy a grande chance de realizar seu sonho de fama. Assim, um dia foi ao hotel onde Ozzy estava e foi recebido com relativa má vontade pelo vocalista. Randy afinou a guitarra e tocou seu número solo – que ficou imortalizado no álbum “Tribute” mas que existia desde os tempos de Quiet Riot. No meio do solo, ele foi interrompido por Ozzy, que trocou algumas palavras com Sharon e disse que o emprego era dele. O restante da banda então era formado por Bob Daisley (ex-Rainbow) no baixo, Lee Kerslake (ex-Uriah Heep) na bateria e Don Airey nos teclados.Randy fez brotar o que havia de melhor em Ozzy. O vocalista já tinha um talento nato para compor belas melodias, algo que ele praticamente adquiriu na marra nos tempos de Sabbath. Nos anos 70, o lance funcionava da seguinte forma: a banda criava as músicas e chamavam Ozzy dizendo: “As músicas estão prontas, pegue o microfone e faça as melodias agora”. Randy tinha um background mais refinado, pois vinha de uma família de músicos. Além disso, era um ávido estudante de música clássica (principalmente o período barroco), paixão que ele descobrira havia pouco tempo mas que já era parte bastante influente em suas criações. Ele teve a paciência de sentar com Ozzy e ajudá-lo a trabalhar suas melodias e idéias da forma correta, procurando até os tons em que sua voz teria o melhor resultado em termos de timbre. Sentindo-se confortável com a retaguarda de Randy, Ozzy, acompanhado do restante da banda, criou em pouco tempo o que viria a se tornar o multi-platinado “Blizzard of Ozz”, lançado a 20 de setembro de 1980.

A pomba

Mesmo com essa obra prima em mãos, Sharon teve muita dificuldade para negociar com um selo que quisesse financiar o projeto. Todos diziam que aquele tipo de som já estava datado e que não resultaria em nada. Porém, a Jet Records, um subselo da CBS, decidiu apostar algumas fichas no então desacreditado Ozzy e liberou para a banda US$ 65.000, uma mixaria para uma produção de grande porte. Como era pegar ou largar, o contrato foi assinado. Foi marcada uma reunião para que Ozzy apresentasse aos executivos da gravadora seu disco e a música selecionada para o primeiro single. Ozzy estava muito apreensivo no dia desta reunião e, antes dela, entornou uma garrafa de conhaque. Sharon teve uma idéia que era pra ser um tipo de “boas-vindas” e sugeriu que Ozzy soltasse três pombas brancas ao entrar na sala. Ozzy concordou. Entrou na sala sorridente e cambaleante, e sentou no colo de uma das executivas. Todos lá estavam muito receptivos e nesse momento foi colocada para tocar Crazy Train. Ozzy soltou duas pombas, mas na terceira não teve dúvidas: pegou o animal e cravou-lhe uma dentada arrancando sua cabeça e cuspindo-a sobre a mesa de reuniões. Foi uma confusão geral. Todos ficaram chocados e expulsaram o casal da sala. De tão nervosa, Sharon literalmente mijou nas calças. Aí fica a pergunta: seria Ozzy um lunático e bêbado sem noção ou um cara que sabia muito bem o que fazer para ter seu nome em evidência na mídia?

Ozzy Osbourne

Estava tudo pronto para que Ozzy desse início a esta nova fase de sua carreira e de sua vida. Uma excelente banda, um disco de altíssimo nível e uma empresária disposta a tudo para alcançar o sucesso.Inicialmente, a nova banda deveria se chamar Blizzard of Ozz, mas Sharon, mesmo sabendo que o grupo era formado por grandes músicos, tinha certeza de que Ozzy seria o centro das atenções e lançou a idéia de que o trabalho fosse assinado por “Ozzy Osbourne”, deixando o para o título do disco o nome proposto para a banda. Bob e Lee colocaram alguma objeção no início mas depois a própria gravadora exigiu que essa fosse a estréia do ex-vocalista do Black Sabbath em carreira solo. No final das contas, tanto a gravadora quanto Sharon estavam mais do que certos.

Vale a pena ressaltar um trecho de uma declaração de seu amigo pessoal Tony Dennis sobre a primeira apresentação solo de Ozzy: “Lembro-me que, antes de Ozzy entrar no palco, ele me disse que não conseguiria fazer o show, pois sempre tinha o conforto dos parceiros no Sabbath. Lembro-me também que quando entrou no palco foi dominado pelo público, até que conseguiu tocar o disco inteiro e mais algumas do Sabbath. Quando acabou o show, foi mais uma vez dominado pelo público por causa da grande receptividade. Ozzy, sem saber como agradecer, começou a chorar no palco, pois a partir daquele momento ele sentiu que poderia continuar sozinho.”

O disco foi um estrondoso sucesso de crítica e público. Ozzy estava de volta! Na época, obteve até mais sucesso do que a banda que o revelou. O Black Sabbath, no mesmo ano, lançou “Heaven and Hell”, com Ronnie James Dio nos vocais, mas o sucesso de “Blizzard of Ozz” foi tamanho que a gravadora em menos de seis meses já estava pressionando para que fosse lançado um novo material. “Diary of a Madman”, lançado em 1981, foi gravado as pressas, mas como o entrosamento entre a banda e, principalmente, entre Ozzy e Randy estava fluindo muito bem, o resultado foi um novo clássico. Vale ressaltar também a competente produção de Max Norman, que já havia trabalhado com a banda no primeiro álbum, conseguindo um som cru e direto, mas muito bem timbrado.

Problemas

Após algumas discussões sobre porcentagens sobre direitos autorais, Bob Daisley e Lee Kerslake foram sacados da banda – aliás, os problemas com a dupla perduram até os dias de hoje. Seus substitutos foram Rudy Sarzo, ex-companheiro de Randy no Quiet Riot, e Tommy Aldridge, ex-Black Oak Arkansas. Nesse período, Ozzy estava totalmente tomado pela bebida e pela cocaína. Suas performances eram sempre um mistério, e sua vida fora do palco era a mais desregrada possível. Basta dizer que durante essa turnê ele foi preso vestido de mulher urinando em um monumento histórico do Texas e novamente se viu às dentadas com outro animal, dessa vez um morcego. Essas e outras histórias estão detalhadas na seção Curiosidades.

Apesar do respeito mútuo entre Ozzy e Randy, a relação dos dois na estrada era cheia de altos e baixos, pois Randy, mesmo admirando seu parceiro pela facilidade com que ele era capaz de criar melodias marcantes para suas composições, não tolerava o alcoolismo de Ozzy e sua dependência química. Isso, na maioria das vezes, acabava prejudicando as apresentações da banda. Ozzy, por outro lado, não se importava com isso e só queria saber de se divertir e gravar seus discos. Randy, que já havia alcançado bastante sucesso como guitarrista de Ozzy e tinha seu nome reconhecido mundialmente, gostaria que aquela fosse sua última turnê com Ozzy. Mesmo tendo muito carinho e amizade por Randy, o lunático Ozzy, ao perceber as pretensões de seu guitarrista, pirou. Dizem as más línguas que Ozzy chegou a bater no amigo quando este lhe disse que gostaria de sair da banda para se dedicar a um projeto solo e se aprofundar nos estudos da música clássica. Se a parceria iria mesmo, acabar ninguém sabe. A turnê era um sucesso e tudo poderia mudar. Só que o destino se adiantou e no dia 20 de março de 1982 Randy Rhoads faleceu em um trágico acidente de avião (veja mais detalhes sobre a morte de Randy na seção Curiosidades).

Ozzy ficou arrasado. Mesmo com todos os atritos, Randy e Ozzy haviam desenvolvido uma grande amizade. Afinal, além do choque por ter perdido uma pessoa por quem nutria grande admiração, Ozzy perdeu um verdadeiro gênio nas composições. Não sabia se conseguiria continuar. O mundo perdeu uma das maiores promessas da guitarra de todos os tempos.

Após algum tempo tentando colocar a cabeça no lugar, Ozzy, incentivado por Sharon, percebeu que precisava seguir em frente, já que a Diary of a Madman Tour ainda tinha muitas datas a serem cumpridas. Mas como encontrar um substituto para Randy Rhoads? O primeiro a encarar o trabalho foi Barnie Thormé, ex-Ian Gillan Band, que só agüentou a pressão por duas semanas. Para terminar a tour foi chamado Brad Gills, ex-Night Ranger.
Além disso, Ozzy devia um disco ao vivo para a gravadora. Alguns tapes com Randy já haviam sido gravados, porém o vocalista se negou veementemente a lançar este trabalho, já que não se sentia à vontade para ganhar dinheiro às custas da imagem de seu falecido amigo. Então, para cumprir o acordo com a gravadora, aproveitou duas apresentações no The Ritz, em Nova York, e gravou “Speak of the Devil”, álbum ao vivo lançado em 1982 e que continha apenas músicas de sua época no Black Sabbath. Na verdade, esse disco foi encarado como uma espécie de resposta ao trabalho ao vivo que o Black Sabbath lançara com Dio, “Live Evil”. As rusgas entre Ozzy e sua ex-banda eram notórias e amplamente divulgadas. Mas o fato é que, apesar de ser um disco fraco, “Speak of the Devil” deu um banho no “Live Evil”, pelo menos no quesito vendas.

Jake E. Lee

Brad Gills estava fora e Ozzy, à procura de um novo guitarrista. Novamente, começaram as sessões de testes para a escolha do novo axeman. Ainda em 1982, chegaram a Los Angeles para as audições dois guitarristas recomendados pelo baixista Dana Strum (que também havia indicado Randy): George Linch (Dokken) e Jake E. Lee (ex-Ratt). Ozzy chegou a optar por Linch mas voltou atrás e ficou resolvido Lee seria o escolhido. Curiosamente, Jake E. Lee havia sido recentemente dispensado por Dio, que também preparava sua banda para sair em carreira solo, pois havia deixado o Black Sabbath.

Jake trouxe consigo alguns de seu antigos riffs e juntou-os a uma concepção criada por Ozzy. Também teve parte importante no processo a contribuição lírica de Bob Daisley, que estava de volta à banda, e estava pronto “Bark at the Moon”, um bom disco que seguia a receita de seus antecessores, mas que não possuía a mesma inspiração de outrora. Mesmo assim foi um sucesso, colocando Ozzy de volta em altas posições nas paradas americanas e inglesas. A turnê foi uma das mais insanas da carreira do vocalista. Uma parte dela foi dividida com o Mötley Crüe, outra banda que era bastante conhecida pelas barbaridades que cometia fora dos palcos. Foi nessa época que, diz a lenda, Ozzy, em busca de um novo barato, cheirou uma carreira de formigas.

Em 1984, Ozzy se apresentou pela primeira vez no Monsters of Rock da Inglaterra (fato que voltaria a acontecer em 1986 e 1996) e no ano seguinte desembarcou pela primeira vez no Brasil para duas apresentações no Rock in Rio. Visivelmente fora de forma, Ozzy fez o que podia no palco e, mesmo incapaz de sustentar a afinação, saciou a vontade dos carinhosamente apelidados pela Rede Globo de “metaleiros”, com clássicos absolutos de sua carreira e de versões de temas de sua antiga banda, com destaque para “Iron Man”, que levou as 350 mil pessoas presentes nos dois dias do festival ao delírio.

Ainda em 1985, Ozzy teve uma reconciliação momentânea com o Black Sabbath para uma apresentação no Live Aid. Muito se especulou sobre uma possível turnê da banda, mas isso não passou pela cabeça de Ozzy, que estava em pleno processo de composição de seu novo trabalho.

Em 1986, Ozzy soltou mais um disco de estúdio, em uma nova parceria com Jake E. Lee: The Ultimate Sin. O álbum trazia um Ozzy diferente, antenado ao grande sucesso que o glam rock fazia na época. Isso se refletiu principalmente no som, que teve uma produção mais pomposa e menos pesada do que o habitual, e no visual, repleto de lantejoulas e cabelos no melhor estilo “poodle”. Mesmo assim, disco e turnê foram bem, gerando inclusive um dos maiores hits da carreira de Ozzy, Shot in the Dark (em parceria com Phil Soussan). Mas o álcool mais uma vez dominava a vida de Ozzy.

Após uma breve passada na clínica Beth Ford (da qual o Ozzy se tornou um assíduo cliente), ao final da Bark at the Moon Tour Ozzy manteve apenas seis meses de sobriedade, e voltou a se intoxicar, principalmente com álcool e cocaína. Numa dessas bebedeiras, Ozzy pôs fim à parceria com Jake E. Lee, demitindo-o sumariamente no final da tour de “The Ulitmate Sin”. Essa tour ainda geraria o homevideo “The Ultimate Ozzy”.

Como desgraça pouca é bobagem, o ano de 1986 ainda ficou marcado pela acusação de que a música “Suicide Solution” teria induzido dois jovens a se matarem. Esse processo durou alguns anos, sendo que no final das contas ficou provada a inocência de Ozzy, que ainda declarou: “Se eu escrevesse uma letra para meus fãs se matarem, não teria hoje milhares de fãs.”

No ano de 1987, um hesitante Ozzy acabou atendendo ao pedido de milhares de fãs sedentos por material ao vivo da época com Randy Rhoads e lançou, com o consentimento Dolores Rhoads (mãe de Randy), o álbum “Tribute”, gravado durante os shows da Diary of a Madman Tour, de 1981. O disco também traz duas músicas da Blizzard of Ozz Tour (“Goodbye to Romance” e “No Bone Movies”) e outtakes da gravação de Randy Rhoads na música “Dee”, uma pequena peça com influências da música erudita que Randy gravou em homenagem à sua mãe.

Zakk Wylde

Como Ozzy estava sem guitarrista, começaram as audições para encontrar o substituto de Jake E. Lee. Dentre as diversas demos recebidas de todo o mundo, chegou às suas mãos um tape de um tal de Zakk Wylde, um jovem guitarrista de New Jersey fanático por Ozzy, Black Sabbath, Randy Rhoads, Lynyrd Skynyrd e Alman Brothers. Num primeiro momento, Ozzy não se interessou muito pelo rapaz, pois a foto de promoção enviada por ele lembrava muito o falecido Randy Rhoads, mas ao ouvir a fita Ozzy resolveu chamá-lo para uma audição. Bastou somente uma música para Ozzy contratá-lo. Com apenas vinte anos, Zakk era o novo axeman de Ozzy.

Dessa parceria surgiu, em 1988, o álbum “No Rest for the Wicked”, um álbum sombrio que levou algum tempo para ser concluído devido aos atritos de Ozzy com os produtores Roy Thomas Baker e Keith Olsen. Um ainda tímido Zakk já mostrava serviço com riffs matadores, como em “Miracle Man”, “Bloodbath in Paradise” e “Breaking All the Rules”. O álbum não se deu tão bem colocado nas paradas quanto seus antecessores, mas acabou vendendo mais de 2 milhões de cópias apenas nos EUA.

A tour aconteceu sem surpresas em seus dois terços iniciais, com apresentações sempre lotadas em teatros e casas de médio porte nos EUA, na Europa e Japão. Contudo, a terceira parte da tour teve que ser cancelada porque os shows em grandes arenas pelos EUA tiveram baixa procura de ingressos, um fato até então inédito na carreira de Ozzy e que o deixou bastante deprimido na época.

Em 1989, Ozzy participou do primeiro grande festival de rock realizado na Rússia, o Moscou Music and Peace Festival, ao lado de nomes como Bon Jovi, Mötley Crüe, Scorpions e Skid Row. Foi consenso entre todos os artistas lá presentes que Ozzy, com seu inacreditável carisma, proporcionou o melhor show do festival.

Mas o ano de 1989 ainda estava reservando um dos piores momentos da vida de Ozzy.
Após consumir quatro garrafas de vodca russa, que ele havia ganho dos promotores do show em Moscou, e mais algumas substâncias ilegais, Ozzy e seu “amigo imaginário” decidiram que era a hora de acabar com a vida da Sharon. Em um ato insano, partiu pra cima de sua mulher tentando enforcá-la. Uma Sharon desesperada acionou a segurança e Ozzy foi detido. No fim das contas, esse foi acabaria sendo determinante para que Ozzy desse a grande virada que aconteceu em sua carreira nos anos 90. Antes, porém, foi editado o ao vivo “Just Say Ozzy”, gravado durante a No Rest for the Wicked Tour e que, por se tratar de um EP, teve excelente venda, com mais de 500 mil cópias apenas no EUA, levantando assim a moral do abalado Ozzy.

Frase:
“Ele se tornou muito popular, maior performance, vendas, adoro ele e tenho orgulho de nós” Bill Ward 1991.

1991 representou ano novo e saúde nova para Ozzy. O vocalista estava totalmente livre das drogas e das bebidas e ostentava um físico magérrimo graças a exercícios físicos regulares. Nesse clima é lançada uma obra-prima, “No More Tears”. O disco começou a ser produzido sem grandes pretensões, já que o próprio Ozzy acreditava que seria o seu “canto do cisne”, mas acabou se tornando o maior sucesso comercial de sua carreira. Inicialmente, o produtor desse trabalho seria o renomado Rick Rubin, que gostaria que Ozzy soasse novamente com Black Sabbath. Mas não era isso que Ozzy queria. Ele pretendia fazer um disco com a sua cara. Assim, dispensado Rubin, Ozzy chamou uma dupla de produtores e engenheiros de som, Duane Baron e John Purdell – este último também contribuiu na composição da mega clássica faixa título do disco.

Essa música, a propósito, tem uma história interessante. Um belo dia, Ozzy passeava pelo estúdio e ouviu seu novo baixista, Michael Inez (que mesmo participando de todo o processo de produção do disco tocou apenas na faixa título, deixando as demais para o experiente Bob Daisley), tocando seu instrumento. Ozzy parou e perguntou: “O que é isso?” Inez disse que estava apenas brincando com o baixo. Ozzy pediu: “Faça de novo!” E ele tocou novamente o que viria a ser o embrião deste clássico.

Outra grande ajuda que Ozzy teve no álbum foi a de seu grande amigo Lemmy Kilmister (Motörhead), que compôs junto com ele músicas da magnitude de “I Don’t Want to Change the World”, “Mama I’m Coming Home”, “Desire” e “Hellraiser”.

Quem ouve o disco percebe que ali está um dos mais assombrosos trabalhos de guitarra já registrados em toda a carreira do Madman, mas o que poucos sabem é que Ozzy ficou um pouco contrariado com a crescente influência da country music no estilo de Zakk tocar. Depois de algumas discussões, todos chegaram a um consenso e o que se viu foi uma das mais brilhantes performances da carreira de Zakk, elevando-o ao patamar de um dos melhores guitarristas de todos os tempos.

Inicialmente, a turnê foi batizada com o nome de Theater of Madness, que consistiria em apresentações em teatros para, no máximo, 5 mil espectadores.. Porém, acabou se tornando um sucesso maior do que o esperado.

Mas nem tudo eram flores para Ozzy nesta época. Ao constatar uma estranha tremedeira nas mãos, Ozzy decide procurar um médico. Após uma bateria de exames, o diagnóstico lhe caiu como uma bomba. Esclerose múltipla. Isso fez com que toda a turnê fosse repensada e Ozzy acabou decidindo se aposentar. A partir desse momento, a Theater of Madness deu lugar à No More Tours, que foi um enorme sucesso, tocando nas maiores casas de shows de todos os EUA sempre com ingressos esgotados. O disco foi sucesso mundial, inclusive no Brasil, vendendo até hoje mais de 8 milhões de cópias em todo o mundo.

A No More Tours chegou ao fim com duas apresentações no Pacific Amphitheater, em Costa Mesa, na Califórnia, em novembro de 1992. Os dois shows atraíram cerca de 50 mil pessoas, entre as quais celebridades como Nicolas Cage e Rod Stewart, que prestavam homenagem para aqueles que deveriam ser os últimos momentos de Ozzy no palco.

Ozzy ainda havia programado uma grande surpresa para estes concertos: uma reunião do Black Sabbath com sua formação original, tocando quatro músicas ao final do show. Na primeira noite, Ozzy, bastante cansado resolveu não fazer a reunião, mas no segundo show tudo correu bem e o Sabbath fez uma excelente performance tocando “Black Sabbath” (que entrou no CD/DVD “Live and Loud”), “Faries Wear Boots”, “Iron Man” e “Paranoid”. Tudo estava terminado e era a hora do descanso para o Madman. No final de 1992, Ozzy e o Black Sabbath foram convidados para uma cerimônia de homenagem no Rock Walk, em Hollywood, e os músicos deixaram suas mãos marcadas na calçada em frente ao Guitar Center.

Em 1993, foi lançado o CD/DVD “Live and Loud”, que obteve grande sucesso, como era de se esperar. Já Ozzy, gozando de perfeita saúde, começou a estranhar o fato de estar se sentindo melhor do que nunca e ter que ficar em casa sem fazer o que mais gostava. Diante dessa situação, procurou outros médicos para obter um novo diagnóstico e, para a alegria de todos, a esclerose múltipla foi descartada. Livre da doença que o havia afastado dos palcos, Ozzy começou a arquitetar sua volta: partiu direto para o estúdio para começar, junto ao produtor Michael Beinhorn, a produção de seu novo álbum, “Ozzmosis”.

O line-up desse disco trazia Zakk Wylde na guitarra, Geezer Butler no baixo, Dean Castronovo na bateria e mago Rick Wakeman nos teclados. Com algumas sobras de composições da época de “No More Tears”, como “Perry Mason”, “See You on the Other Side”, “Tomorrow” e “Old L. A. Tonight”, composições novas, como “Thunder Underground” (na qual trabalhou com o antigo parceiro Geezer), e novas parcerias como “Ghost Behind my Eyes”, na qual trabalhou com Mark Hudson, e “My Little Man” com Steve Vai (que, diz a lenda, compôs junto com Ozzy várias músicas, como “On the Road Again”, que nunca chegaram a ver a luz do dia porque a gravadora entendeu que o trabalho era de difícil digestão), Ozzy trouxe à luz um disco altamente pessoal, cercado de belas melodias, baladas inspiradas e um clima meio progressivo, meio psicodélico que não agradou aos fãs mais radicais mas com certeza é uma obra-prima.

Hora do retorno aos palcos! Como Zakk Wylde estava envolvido em projetos pessoais e num vaivém com o Guns N’Roses, Ozzy, que nunca escondeu a vontade de trabalhar com seu fiel escudeiro, não pôde esperar mais e teve que colocá-lo na geladeira. Com vários compromissos já agendados, Ozzy chegou a fazer um show em 1995 com o guitarrista Alex Skolnick – que, mesmo sendo um grande guitarrista não o agradou. Assim, o posto acabou sendo ocupado pelo ex-Dave Lee Roth, Joe Holmes. Duas apresentações de “aquecimento” foram realizadas no México, mas a grande volta do Madman se deu mesmo no Brasil, no Phillips Monsters of Rock em setembro de 1995, no Estádio do Pacaembu. Também participaram do festival Alice Cooper, Megadeth e Faith no More. O show foi fantástico e mostrou um Ozzy em excelente forma, mas ficou claro que Joe Holmes, apesar de muito competente, não conseguiria se equiparar em carisma e técnica a seus antecessores. Mesmo assim, a tour seguiu sem maiores problemas. Apenas algumas trocas foram feitas nesse período. Geezer deu lugar a Michael Inez, que logo seria substituído por Robert Trujillo, e Dean Castronovo, que não agradou a Ozzy no giro pela América do Sul, foi substituído por Randy Castillo, que depois deu lugar a Mike Bordin.

Ozzfest

Sharon Osbourne, que como boa empresária, sempre esteve antenada no que de mais quente acontecia no meio da música, tentou infiltrar Ozzy num dos mais concorridos festivais do verão americano, o Lolapalooza Festival. Diante da resposta negativa (os organizadores disseram que Ozzy seria “muito velho” fazer parte do cast do festival), Sharon e Ozzy decidiram então fazer seu próprio festival. Nasceu, então, em 1996 o Ozzfest. A primeira edição do festival ocorreu em duas datas, 25 e 26 de outubro, em Phoenix, Arizona e Devore, Califórnia, respectivamente. Bandas como Sepultura e Slayer fizeram parte do cast desta edição. Foi um sucesso! Cerca de 30 mil pessoas compareceram em cada dia, mostrando que o nome “Ozzy Osbourne” tinha ainda muita força.

A volta do Black Sabbath

Para apimentar o Ozzfest de 1997 veio à tona uma reunião que há muito vinha sendo planejada nos bastidores: Black Sabbath! Contudo, essa primeira reunião não contou com o baterista original Bill Ward que, segundo Iommi e Butler, não estaria em condições de assumir as baquetas, dada uma experiência ruim que ambos tiveram com ele durante uma turnê que o Sabbath fez pela América do Sul em 1994. Assim, quem empunhou as baquetas foi Mike Bordin. O Ozzfest de 1997 teve o próprio Ozzy fazendo seu set solo e toda noite se reunindo com o Black Sabbath para uma apresentação de uma hora. A tour foi assistida por milhares de pessoas. Bill Ward ficou muito chateado com a decisão de seus companheiros e, após pedidos dos fãs e muita insistência do próprio Ward, o Sabbath original marcou para 4 e 5 de dezembro de 1997 em Birmingham, na NEC Arena os shows que seriam gravados para o primeiro disco ao vivo do Sabbath com Ozzy nos vocais, “Reunion”. A primeira noite contou com uma apresentação bastante tensa por parte da banda, principalmente Ward, que cometeu alguns terríveis deslizes, mas na segunda noite tudo correu bem, a ponto de Ozzy declarar que aquela teria sido a melhor apresentação do Black Sabbath da qual teria participado. Tudo o que está no álbum “Reunion” foi gravado na noite de 5 de dezembro.

Uma turnê européia estava já estava marcada para o primeiro semestre de 1998 quando, durante os primeiros ensaios, Bill Ward sofre um princípio de enfarte e tem que ser hospitalizado às pressas. Como a recuperação de Ward seria lenta, o Sabbath resolve chamar Vinnie Appice para cumprir as datas já agendadas. No dia 20 de junho em um concerto em Milton Keynes, na Inglaterra (existe um bootleg muito bem gravado dessa apresentação) Bill Ward, que estava acompanhando o show do backstage é trazido para o palco por Ozzy. Enquanto a galera ia à loucura aplaudindo o baterista, que já estava pronto para outra, o sempre engraçadinho Ozzy tratou de abaixar a bermuda de Bill, deixando-o numa posição nada confortável perante a multidão. O resto da turnê transcorreu sem problemas.

No segundo semestre, aconteceu a terceira edição do Ozzfest nos EUA, tendo como atração principal a banda solo de Ozzy. No dia 20 de outubro foi lançado o álbum “Reunion” e o Black Sabbath partiu para uma turnê promocional. O disco, além do show gravado no dia 5 de dezembro de 1997, ainda continha duas faixas inéditas, “Psycho Man” e “Selling my Soul”, as primeiras composições de Ozzy com Iommi desde 1978.

O ano de 1999 foi marcado por muito trabalho do Black Sabbath. A banda fez uma grande tour por EUA e Europa, participou do Ozzfest e lançou o DVD “The Last Supper”. Esse vídeo continha imagens da turnê de 1999, mas o áudio era o mesmo do CD “Reunion”, sendo que apenas na música “After Forever” foi utilizado um áudio diferente. É por isso esse DVD soa meio frio e vale, na verdade, pelas engraçadas entrevistas que existem entre uma música e outra.

Em 2000, Ozzy voltou a se apresentar com sua banda solo no Ozzfest, só que problemas de saúde não o deixaram terminar a turnê de forma completa. Na verdade, nessa época as tremedeiras começaram a se tornar mais acentuadas e médicos acharam que Ozzy estava com o Mal de Parkinson. Assim, ele resolveu dar uma parada para tentar se tratar.

Todos pensaram que 1999 seria o último ano de Ozzy com o Sabbath, mas em 2001 eles voltam a se apresentar no Ozzfest e com uma nova música no set, “Scary Dreams”. Os boatos sobre um novo disco do Sabbath aumentaram e os próprios músicos diziam que já tinham seis novas músicas compostas. Mas a verdade é que o Ozzfest acabou e nada de disco novo. Ozzy estava com muito receio de não conseguir lançar um material tão bom quanto no passado e acabou atrasando tudo. Além disso, a gravadora de Ozzy estava fazendo pressão para que ele lançasse material novo, o que não acontecia desde 1995.

Ao mesmo tempo, o vocalista não estava nem um pouco contente com a sua parceira com o guitarrista Joe Holmes. Publicamente, ninguém falava nada, mas muitos sabem que as performances de Holmes no estúdio e suas idéias para riffs não estavam agradando em nada o velho Madman. Nessa época, ele tentou parceiras com vários amigos – pra se ter idéia, até Dave Groll andou fazendo músicas com Ozzy nesse período. Em resumo, Ozzy tinha material suficiente para gravar seu próximo trabalho, mas ele não queria a guitarra de Joe Holmes em seu disco. Foi ai que resolveu chamar seu velho companheiro e grande amigo Zakk Wylde.

Zakk apresentou diversas novas músicas para Ozzy que descartou todas, dizendo que lembravam muito a banda de Zakk, o Black Label Society. Mesmo a contragosto, Zakk gravou o disco e fez questão de dizer em diversas oportunidades que não tinha ficado lá muito satisfeito com o resultado. Dessa forma, saiu em outubro de 2001 o álbum “Down to Earth”. Um disco mediano, mas que continha boas músicas, como “Gets Me Through”, “Facing Hell”, “Dreamer” e “That I Never Had”. Certamente não foi um trabalho dos mais inspirados de Ozzy, mas mesmo assim não manchava de forma alguma sua excelente discografia.

The Osbournes

Foi nessa época que começou a ser filmado pela MTV o Reality Show The Osbournes.
A idéia surgiu depois de uma participação da família no programa MTV Cribs, no qual a emissora visita a casa de famosos para mostrar um pouco do seu dia-a-dia. Todos perceberam ali que Ozzy tinha uma forte veia humorística, além de muito carisma frente as câmeras. Sharon deu a idéia e a MTV topou na hora, pagando apenas US$ 200 mil pela primeira temporada, que teve dez episódios.

O programa estreou no dia 5 de março de 2002 e mudou a vida da família Osbourne para sempre. Ninguém imaginava o tremendo sucesso que a série faria. Foi simplesmente o maior sucesso da MTV em todos os tempos, assistida por milhões de telespectadores que mal sabiam quem era Ozzy Osbourne. Muitos dizem que a série depõe contra Ozzy, mas a verdade é que quem era fã e acompanhava a carreira do cara sabia que ele era exatamente daquela forma. Lógico que algumas dificuldades motoras ficaram mais evidentes devido aos anos de abuso de álcool e drogas e pelas tremedeiras que até então não haviam sido diagnosticadas de forma correta. Mas a verdade é que a “Osbournesmania” tomou conta dos EUA e de diversos países no mundo, que deixaram de ver Ozzy como inimigo publico numero 1 para enxergá-lo como um senhor boa praça e patriarca de uma família meio diferente. Com o sucesso da primeira temporada, a família assinou um contrato de US$ 20 milhões com a MTV e a série teve mais três temporadas – o último episódio foi ao ar em abril de 2005. A série rendeu tanta popularidade a Ozzy que, de uma só vez, ele recebeu sua estrela na Calçada da Fama de Hollywood, foi convidado para jantar na Casa Branca e tocou para a Família Real Britânica no Palácio de Buckingham.

Mesmo com toda a fama do seriado, Ozzy não parou de trabalhar. Fez a turnê de promoção de “Down to Earth”, que a esse altura já tinha vendido mais de 1 milhão de cópias nos EUA, e gravou no dia 15 de fevereiro de 2002, no Budokan Hall, no Japão, o show que se transformaria no CD/DVD “Live at Budokan”. Os preparativos para o Ozzfest 2002 já estavam prontos quando uma noticia abalou o clã dos Osbournes: Sharon Osbourne estava com câncer. Rapidamente, foi submetida a uma cirurgia para a retirada do tumor e começou o tratamento de quimioterapia. Isso acabou com Ozzy, que não agüentava ver a mulher naquele estado. Resultado: voltou beber e a se entupir de remédios. Mesmo assim, cumpriu boa parte do Ozzfest, apesar de visivelmente abatido e transtornado, parado e irreconhecível no palco.

O ano de 2002 terminou com a renovação dos votos de casamento entre Ozzy e Sharon, numa cerimônia seguindo a tradição judaica, seguida por uma grande festa para convidados ilustres, incluindo um show com a banda disco dos anos 70, Village People.

Em 2003, o baixista Robert Trujillo fez seu último show com Ozzy e foi para o Metallica. Para ocupar seu lugar foi chamado o ex-Metallica Jason Newsted. Nesse período Ozzy teve sua tremedeira diagnosticada corretamente. Tratava-se de uma doença hereditária chamada Parkin. Felizmente, não era nada tão grave como acusavam os diagnósticos anteriores, porém, quando iniciou o tratamento Ozzy se deu conta de que os remédios lhe causavam extrema secura na boca, o que lhe trouxe sérias dificuldades para se apresentar ao vivo. Este problema rendeu algumas das piores apresentações de sua carreira – imagine só, além da boca seca havia a bebedeira misturada com os antidepressivos que Ozzy tomava para suportar o tranco da batalha de Sharon contra o câncer. Após o Ozzfest de 2003, Ozzy cancelou uma turnê européia, pois não estava em condições de cumpri-la. A boa notícia foi que o tratamento de Sharon deu o resultado esperado e ela estava então livre do câncer.

Tudo ia bem até que, no final de 2003, um acidente quase colocou um fim na carreira (e na vida) de Ozzy. Num passeio de quadriciclo na sua propriedade na Inglaterra, Ozzy viu a morte de perto quando o veículo capotou e caiu sobre Ozzy, que teve parada respiratória, algumas vértebras danificadas, clavícula e costelas quebradas. Tudo isso diante das câmeras da MTV. Ozzy recebeu os primeiros socorros de seu segurança, que o reanimou e o encaminhou ao hospital. Durante a internação, Ozzy teve ainda duas paradas cardiorrespiratórias e manteve-se entubado por uma semana. O risco de vida já havia sido superado, mas um novo problema surgiu ainda no hospital: devido ao longo período de entubação, Ozzy teve algumas pequenas seqüelas em suas pregas vocais. Os médicos chegaram a pôr em dúvida a capacidade de Ozzy voltar a cantar ao vivo, mas ele não deu bola ao que diziam.

Em 2004, ainda durante o período de recuperação do acidente, Ozzy e Sharon prepararam o Ozzfest, que teria novamente o Black Sabbath com atração principal. Nesse ano, foi lançada a caixa “Prince of Darkness”, uma retrospectiva de sua carreira com faixas ao vivo, b-sides e contribuições com outros artistas, além de um CD com releituras de algumas músicas de artistas que o influenciaram. Mesmo sendo uma caixa com quatro CDs, chegou à marca de 500 mil cópias vendidas nos EUA.

O Ozzfest começou e Ozzy se apresentou em boa forma física, porém sua voz começou a dar sinais de muito desgaste com apenas algumas apresentações, tendo, inclusive, que ser substituído por Rob Halford (vocalista do Judas Priest, que se apresentava nessa edição do festival) em uma ocasião em que não teve condições de assumir sua posição nos vocais.

Em 2005, um Ozzy rejuvenecido e em boa forma convocou o Black Sabbath para uma grande turnê que varreu a Europa e os EUA. Havia muitos anos que não se via um Ozzy com tamanha disposição e empolgação em cima do palco. Ele estava definitivamente longe do álcool e das drogas. Foi nesse ano que, durante o Ozzfest, ocorreu em San Bernardino a famosa Eggfest. O Iron Maiden estava abrindo os shows do Black Sabbath nesse ano e todas as noites o vocalista Bruce Dickinson dava algumas alfinetadas em Ozzy e sua família, dizendo que não precisava de reality shows para se promover e blablablá. Ozzy não tomou muito conhecimento do assunto mas o pavio curto da Sharon não durou muito. Ela contratou 200 pessoas para ficarem na frente do palco, munidas de ovos que foram cuidadosamente atirados nos músicos do Iron Maiden. Além disso, durante a apresentação, o sistema de PAs foi desligado duas vezes e durante o intervalo das músicas era possível ouvir uma voz em alto e bom som gritando no PA “Ozzy! Ozzy!”

Em novembro de 2005 o Black Sabbath e a carreira solo de Ozzy foram finalmente indicados e homenageados no U.K. Hall of Fame. Ainda nesse mês, saiu o CD “Under Cover”, que passou até meio despercebido pois a maioria de suas músicas já fazia parte da caixa “Prince of Darkness”. As guitarras deste disco foram gravadas por Jerry Cantrell (Alice in Chains).

2006 foi ano bem tranqüilo para Ozzy. Em março, ele foi homenageado no Rock’n’Roll Hall of Fame nos EUA com o Black Sabbath, o que para muitos foi a derradeira aparição do Black Sabbath original em público. Fez apenas algumas apresentações no Ozzfest, uma delas, inclusive, no palco secundário. Nesses shows Ozzy já contava com seu novo baixista Blasko (ex-Rob Zombie), que substituiu Jason Newsted, cujas performances em 2003 foram desaprovadas por Zakk Wylde.

Ozzy estava se preparando para gravar um novo álbum. Chegou até a fazer testes no final de 2005 para tentar achar um substituto para Zakk Wylde, que deveria se dedicar apenas ao Black Label Society, mas percebeu que seria muito difícil substituir o “Viking”. Como Zakk sempre se disse disposto a compor, gravar e tocar com Ozzy, resolveram então unir o útil ao agradável e reatar a parceria.

2007 e tour no Brasil

Enfurnados no estúdio construído na casa do próprio Ozzy, a banda e o produtor Kevin Churko deram à luz, no dia 22 de maio, ao álbum “Black Rain”. Após um hiato de seis anos, Ozzy voltou com um trabalho pesado e moderno, que dividiu opiniões mas que para muitos é o seu melhor registro desde “No more Tears”. Numa época em que reinam os downloads ilegais, o disco estreou no 3o. lugar da Billboard, vendendo 153 mil cópias na semana do lançamento. No início de 2008, as vendas de “Black Rain” já ultrapassavam 600 mil cópias somente nos EUA. O álbum ainda gerou o maior hit radiofônico de Ozzy, “I Don’t Wanna Stop”, liderou a parada Rock Mainstream Tracks, da Billboard, fato inédito em sua carreira até então.

A turnê de promoção do álbum começou na Rússia e passou primeiramente por toda a Europa, sendo a mais extensa tour européia de sua carreira. É claro que sua voz pifou após alguns desses shows mas, mesmo assim, pouquíssimas apresentações foram canceladas e em todas as noites Ozzy deu o máximo de si, pois sabia que alguns fãs o estavam vendo pela primeira vez. Ao fim da turnê européia, Ozzy foi homenageado em sua cidade natal, Birmingham, com uma placa na recém-inaugurada Walk of Stars.

O Ozzfest de 2007 foi diferenciado: era de graça. Os fãs que compraram a primeira edição de ” Black Rain” puderam garantir um par de ingressos. Os demais foram adquiridos através de promoções e reservas pela internet. Após o Ozzfest, Ozzy embarcou em mais uma turnê americana, juntamente com Rob Zombie. Essa turnê foi também um grande sucesso, tendo a maioria dos seus shows sold out.

No início de 2008, Ozzy concluiu algumas datas nos EUA e partiu para o Canadá. Após um mês de descanso, retomou a turnê na Austrália, partindo então para a América do Sul. Depois de passar pela Argentina e pelo Chile, Ozzy finalmente retornou ao Brasil após treze anos, proporcionando aos brasileiros o seu melhor em dois shows históricos, no Rio de Janeiro e em São Paulo. A turnê se encerrou no México.

Após a tour de Black Rain, Ozzy já tinha engatilhado mais dois projetos : um novo álbum e seu livro de memórias.
O livro estava sendo escrito baseado em entrevistas que estava dando para o co-autor Chris Ayres, que estava organizando as lembranças e passando para o papel.
Ao mesmo tempo, Ozzy, Zakk e o produtor Kevin Churko já trabalhavam em ideias para o próximo trabalho de estúdio. Quando já haviam algumas músicas compostas, Ozzy sentiu que seu som estava muito próximo ao da banda de Zakk, o Black Label Society. Não contente com esse direcionamento o Madman sentiu que era hora de buscar um novo som de guitarra para sua banda.
A parceria de 20 anos com o “Vicking” terminou sem mágoas para ambos, tanto que continuam grandes amigos e sempre que pode, Zakk agradece ao fato de ter tido a oportunidade de tocar na banda do mestre.
O posto de “axeman” foi parar no colo do grego Gus G, da banda Firewind. Além de sua audição, Gus passou pela prova de fogo de acompanhar Ozzy em dois compromissos em 2009. Uma apresentação na BlizzCon – apresentando também o novo baterista Tommy Clufetos, ex-Alice Cooper e Robbie Zombie – e no Sunset Strip Music Festival – último show com Mike Bordin na bateria, que havia voltado para o Faith no More.

Antes de pensar no novo álbum Ozzy lançou sua biografia, I am Ozzy, em outubro de 2009. O livro conta de forma cômica e descontraída todas as peripécias do Madman em seus 40 anos de carreira. A maneira engraçada que Ozzy tem ao abordar até os mais tristes assuntos foi um tiro mais do que certo. As vendas foram um estouro! I am Ozzy ficou entre os livros mais vendidos em muitos lugares do mundo – inclusive no Brasil – por várias semanas e obteve críticas excelentes!
Para divulgar o trabalho, Ozzy percorreu os Estados Unidos em disputadas tardes de autógrafos. O homem é um verdadeiro workaholic!
Passado o “boom” do lançamento de I am Ozzy, todas as atenções foram voltadas para a produção do novo álbum. Ozzy, Kevin e o tecladista Adan Wakeman já estavam com todas as composições terminadas. Gus G e Tommy Clufetos já entraram no estúdio sabendo o que iriam fazer.
O título inicial do trabalho era Soul Sucka. Mostrando que está antenado com o que está acontecendo no mundo virtual – os fãs se pronunciaram com total descontentamento em relação ao nome Soul Sucka – o Madman decidiu mudar o nome para Scream.
Em 14 de Abril de 2010 os fãs tiveram um primeiro contato com o primeiro single Let me hear you scream, que foi ao ar num episódio da série televisiva CSI: N.Y. Logo depois, a música foi disponibilizada completa no site oficial e agradou em cheio aos fãs.
Let me hear you scream é uma música extremamente energética, com uma pegada que há tempos não se ouvia em trabalhos do Madman.
Scream foi lançado no dia 22 de Junho de 2010 e provou que Ozzy ainda está muito vivo. Chegou ao quarto lugar da parada americana e conseguiu altas posições em todo o globo.
O trabalho é realmente muito bom e nossa opinião você pode ler aqui.
Para a promoção, Ozzy lançou pela primeira vez suas músicas para o game Rock Band. Os fãs poderiam comprar um pacote que incluía Let me hear you scream, a maravilhosa Diggin me down, Soul Sucker e os hits Crazy Babies, No more tears e I don’t wanna stop.

A tour de Scream começou de forma diferente, com a banda tocando em lugares pequenos, porém lendários, como o House of Blues na Califórnia e no Birminghan Town Hall, em Birminghan. O ápice dessa primeira parte da tour foi a apresentação no Itunes Festival, no The Roundhouse em Londres, onde inclusive foi gravado o ótimo EP Live in Itunes Festival, que sacramentou de vez o poderio de fogo da nova banda.
O decorrer da digressão foi um sucesso com a volta do Ozzfest – mesmo que com apenas algumas datas em locais selecionados dos Estados Unidos, seguida de uma extensa tour em arenas pelo mesmo país – apresentações elogiadas nos principais festivais Europeus, datas no Japão e na América do Sul – nosso review sobre a tour e tudo sobre nosso encontro com o mito você encontra aqui.
O que chamou a atenção na Scream World Tour foi a boa forma de Ozzy. Enfrentando poucos problemas com a voz e apresentando muito mais energia do que na Black Rain Tour, o mestre – que muitos declaravam aposentado – mostrou saúde e disposição para mais alguns bons anos de Rock. Isso se deve a exercícios diários, boa alimentação e determinação!
Durante a tour foi lançada em diversos lugares do mundo uma nova versão do Scream – Scream Tour Edition – repleta de bônus tracks e faixas ao vivo
Outra novidade foi a inclusão no canal oficial do YouTube da OzzTv. Praticamente toda a tour foi noticiada através de pequenos vídeos que ilustravam o dia a dia da banda em cada parada. Muito bacana!

Foram lançados três singles para o álbum, acompanhados de videoclipes. Além de Let me hear you scream – que diga-se de passagem chegou novamente ao primeiro lugar da parada Mainstream Rock Tracks – Let it die – com um clipe que reúne imagens de estúdio e ao vivo – e Life won’t wait tiveram suas chances.
Life won’t wait teve um ótimo clipe que trouxe a estreia como diretor do filho de Ozzy, Jack.
Por falar em Jack, desde 2008 ele vem trabalhando como produtor – ao lado de sua mãe Sharon – de um documentário sobre a carreira de seu pai.
Originalmente chamado de Wreckage of my past, o filme foi feito para retratar o verdadeiro Ozzy e para apagar de vez a imagem de velho babão gerada pelo seriado The Osbournes.
Com o nome alterado para God Bless Ozzy Osbourne o filme fez seu debut no Tribeca Film Festival em 2011, logo depois passando em algumas salas selecionadas nos Estados Unidos e na Inglaterra para depois chegar em algumas sessões no Brasil – a nossa crítica do filme você lê aqui. Posteriormente, o documentário foi lançado em Blu-Ray e DVD.
O ano de 2011 também foi de comemorações para os trinta anos dos icônicos álbuns Blizzard of Ozz e Diary of a Madman. Para isso foram lançadas novas edições com excelente remasterização e bonus tracks, para fazer qualquer fã babar. Falando em fãs, os mais dedicados puderam desfrutar de um box set contendo os cds remasterizados, as edições em vinil de 180g e um DVD entitulado Thirty years after the Blizzard, que contém um documentário de trinta minutos sobre a história de Ozzy com Randy Rhoads e extras de imagens inéditas da dupla em ação. Outro ponto positivo destes relançamentos foi a restauração da cozinha original de Bob Daislay e Lee Kerslake.
Embora ambos tenham sido praticamente ignorados no documentário e nas fotos do livro que acompanha o box, fez-se justiça ao brilhante trabalho e à contribuição enquanto compositores que ajudaram a fazer destes álbuns trabalhos tão bem sucedidos.
Parece brincadeira, mas entre um show e outro Ozzy ainda teve tempo de escrever uma coluna sobre saúde para o jornal britânico The Sunday Times. O que poderia ser encarado como um absurdo se tornou um grande sucesso. Ozzy respondia com seu ácido humor perguntas de leitores citando experiências próprias para ilustrar sua resposta.
A partir daí, surgiu a ideia de um novo livro reunindo suas publicações nos jornais com novas historias sobre como um homem que teve uma vida tão desregrada conseguiu sobreviver e estar ainda com boa saúde.

Trust me, I’m Dr.Ozzy saiu no dia 11 de outbro de 2011 e já figura em algumas listas de mais vendidos. Inclusive já temos a edição nacional! Tá esperando o quê?
Boatos sobre a volta do Black Sabbath começaram a circular no segundo semestre de 2011. Segundo informações não oficiais, Tony Iommi e Ozzy se reuniram num estúdio em Julho para compor canções para um novo álbum da banda. Após o termino da Scream World Tour a banda se reuniria para ensaiar e gravar. Uma tour estava para ser anunciada. Inclusive alguns sites chegaram a noticiar oficialmente a volta.
Logo, Tony Iommi apareceu para desmentir os boatos – ou quase isso – e colocar um aperto no coração dos fãs.
Pois bem, algum tempo se passou e no site oficial da banda apareceu a data 11/11/11.
Logo foi noticiado que nesse dia a banda estará reunida no Whiskey em Los Angeles para um anúncio importante: tour mundial e novo álbum de estúdio.
Cruzem os dedos, pois a terra vai tremer em 2012. E faremos de tudo para incluir o Brasil nessa celebração a maior banda de Heavy Metal da história!
Sabbath, Sabbath, Sabbath!
Será que agora vai?