Black Sabbath

 

Um dia, Geezer Butler, ao passar em frente a um cinema que ficava em frente ao local em que ensaiavam, viu um cartaz de um filme de terror, dirigido pelo italiano Mario Bava, com o título de "Black Sabbath". O nome não lhe saiu da cabeça e, inspirado por um conto do ocultista Denis Wheatley, que falava sobre um sonho com uma figura obscura ao pé da cama, acabou escrevendo a "Black Sabbath".A fila que se formava na entrada do cinema fez surgir uma questão entre os músicos da banda: se as pessoas gastavam dinheiro para assistir filmes que lhes causava medo, será que o mesmo funcionaria com a música funcionaria? Definida a nova tendência que o grupo adotaria, o nome Black Sabbath serviu como uma luva.

A ousadia e o peso do quarteto logo começaram a chamar a atenção do público, mas nem isso tornou as coisas mais fáceis para a banda, que se apresentava por cachês baixíssimos e batalhava para conseguir gravar sua primeira demo.

A sexta-feira 13 de fevereiro de 1970 foi um dia muito comemorado por eles, pois lançaram pela Philips seu primeiro disco, batizado "Black Sabbath" e gravado em apenas 2 dias! Ozzy levou o disco para casa e com orgulho mostrou para o pai: "Olha só, minha voz num pedaço de plástico!". Seu pai ouve com atenção e pergunta sem pestanejar: "Filho, você tem certeza de que só tem fumado cigarros?". O comentário do pai de Ozzy até que tinha fundamento. O trabalho registrado nesse disco era algo no mínimo inesperado, com uma sonoridade pesada como nunca havia se visto.

O disco foi um sucesso, considerando que se tratava de uma banda estreante. Na semana do lançamento, atingiu 5 mil cópias vendidas e logo ocupou o 23º lugar nas paradas britânicas, subindo em seguida para a 8ª posição. A grande surpresa para a banda foi a recepção do álbum nos EUA. "Black Sabbath" manteve-se nas paradas americanas por dezoito meses, levando a banda a conseguir seu primeiro disco de platina.

Em setembro 1970 sai o disco que é considerado pela maioria o maior clássico do Black Sabbath, "Paranoid", que lhe rendeu sua primeira turnê mundial e elevando o quarteto ao posto de uma das maiores bandas da época. "Paranoid" foi o único álbum do Black Sabbath a alcançar o primeiro lugar nas paradas britânicas e fez também grande sucesso nos EUA, o que resultou na primeira visita do grupo no país.

Após este ano, o Black Sabbath lançou discos e mais discos que resultaram em gigantescas turnês, todos eles grandes álbuns que figuram até hoje entre as listas dos maiores discos de rock de todos os tempos. "Master of Reality" (1971), "Volume 4" (1972), "Sabbath Bloody Sabbath" (1973) e "Sabotage" (1975). (vide Discografia)

Depois de tudo isso, as coisas iam bem, já que a banda era um grande sucesso. Entretanto, alguns problemas internos começaram a desgastar o grupo. O líder da banda era Tony Iommi, mas Ozzy sentia que diante do público ele é que deveria ocupar esse posto. Assim, começou a ficar difícil para ele acatar as decisões de Iommi. Esse duelo de egos era tão drástico que nos anos 70 Tony Iommi exigia que nas apresentações da banda ele ficasse posicionado no centro do palco, contrariando a clássica formação, que perdura por anos, mantendo sempre o vocalista no centro. O mal-estar que essas questões causavam atingiu o ápice em 1977, quando faleceu o pai de Ozzy. Ele, então, resolveu deixar a banda e se afundar de vez na bebida e nas drogas (que já tinham presença sempre constante na história do grupo).

O Black Sabbath continuou com o vocalista Dave Walker (ex-Savoy Brown), que foi demitido após uma única apresentação ao vivo em um especial da BBC com uma versão de "Junior's Eyes". A banda se preparava para gravar um novo disco e chamou Ozzy de volta a poucos dias de entrarem em estúdio. Ozzy aceitou voltar, mas passou a discordar da tendência jazzística que a banda tomava e se recusou a aproveitar as melodias que lhe foram apresentadas. Mesmo assim, começaram as gravações do que seria o último álbum com Ozzy no Black Sabbath, "Never Say Die". Foram cinco conturbados meses no estúdio. A banda não entrava em acordo, sem contar que o consumo excessivo de drogas estava afetando o andamento do trabalho. Quando foi lançado, o disco foi considerado desconexo pela imprensa e o resultado nas paradas não agradou a gravadora. A turnê de promoção do disco foi massacrada pela mídia, que julgou a performance dos músicas "cansada e sem inspiração".

Em 1979, cada vez mais bêbado e drogado no palco, Ozzy esquecia as letras das músicas e desafinava cada vez mais, até que Iommi, descontente com o vocalista e esgotado pela pressão da gravadora, resolveu demiti-lo, usando como escudo o melhor amigo de Ozzy, Bill Ward, que fficou encarregado de levar a Ozzy a notícia da demissão.

Foi um duríssimo golpe para Ozzy, que acabou ficando por cerca de seis meses trancado num quarto de hotel, gastando todo o seu dinheiro em pizza e cocaína. Nesse período, Ozzy deixou na Inglaterra sua então esposa e seus dois filhos. Alguns chegaram a cogitar até mesmo que estivesse morrido dentro do hotel, mas uma nova etapa da biografia deste grande mestre ainda estava por ser escrita.

Obs.: Uma excelente e completa biografia do Black Sabbath em português pode ser encontrada nas edições 105, 106 e 107 da revista Roadie Crew. A matéria é assinada pelo radialista Vitão Bonesso.

 

Sharon e a virada de mesa

 

Filha de Don Arden, então empresário do Black Sabbath, Sharon conheceu Ozzy em 1974, aos 18 anos, quando trabalhava como recepcionista na agência do pai, a Arden Organization. Porém, seu contato com Ozzy começou efetivamente nesta fase em que ele se encontrava deprimido e consumido pelas drogas após a saída do Black Sabbath. Um amigo de Sharon precisava de dinheiro e Ozzy devia a ele 500 dólares. Ele pediu que ela fosse ao hotel em que Ozzy se encontrava para tentar receber o dinheiro. Neste encontro, Sharon ficou um pouco transtornada ao perceber o que estava acontecendo com Ozzy e sentiu que aquilo não terminaria bem. Ela acreditava que ali existia um talento sendo desperdiçado e como estava procurando uma oportunidade de trabalhar por conta própria para sair da sombra do pai, propôs a Ozzy que fosse sua empresária e que ambos tentassem uma nova fase em sua carreira. Ali começou não só uma parceria profissional, como também um relacionamento que duraria até os dias de hoje.

 

Randy Rhoads

 

Ozzy sabia muito bem que para ter uma boa banda de rock era preciso ter um bom guitarrista e, além disso, um bom parceiro para as composições, já que ele sozinho não conseguiria compor um disco inteiro. Para agravar a situação, Ozzy tinha em sua sombra os anos em que esteve ao lado do lendário Tony Iommi, sem dúvida um dos mais criativos e influentes guitarristas de rock de todos os tempos. Era aí que morava a grande dificuldade, pois todos os guitarristas que se submetiam às audições pensavam que, para agradá-lo, deveriam soar exatamente como seu velho parceiro. Depois de muitos testes, e já achando que não conseguiria encontrar alguém como ele gostaria, entrou na vida de Ozzy um jovem guitarrista da Califórnia que já havia gravado dois discos, quase sem repercussão, com a banda Quiet Riot. O nome dele era Randy Rhoads. Ele sabia que Ozzy procurava por um guitarrista, mas estava com receio da audição, pois, na realidade, não gostava do som do Black Sabbath – e mal sabia ele que esse se tornaria seu grande trunfo. Porém, ao mesmo tempo viu em Ozzy a grande chance de realizar seu sonho de fama. Assim, um dia foi ao hotel onde Ozzy estava e foi recebido com relativa má vontade pelo vocalista. Randy afinou a guitarra e tocou seu número solo – que ficou imortalizado no álbum "Tribute" mas que existia desde os tempos de Quiet Riot. No meio do solo, ele foi interrompido por Ozzy, que trocou algumas palavras com Sharon e disse que o emprego era dele. O restante da banda então era formado por Bob Daisley (ex-Rainbow) no baixo, Lee Kerslake (ex-Uriah Heep) na bateria e Don Airey nos teclados.Randy fez brotar o que havia de melhor em Ozzy. O vocalista já tinha um talento nato para compor belas melodias, algo que ele praticamente adquiriu na marra nos tempos de Sabbath. Nos anos 70, o lance funcionava da seguinte forma: a banda criava as músicas e chamavam Ozzy dizendo: "As músicas estão prontas, pegue o microfone e faça as melodias agora". Randy tinha um background mais refinado, pois vinha de uma família de músicos. Além disso, era um ávido estudante de música clássica (principalmente o período barroco), paixão que ele descobrira havia pouco tempo mas que já era parte bastante influente em suas criações. Ele teve a paciência de sentar com Ozzy e ajudá-lo a trabalhar suas melodias e idéias da forma correta, procurando até os tons em que sua voz teria o melhor resultado em termos de timbre. Sentindo-se confortável com a retaguarda de Randy, Ozzy, acompanhado do restante da banda, criou em pouco tempo o que viria a se tornar o multi-platinado “Blizzard of Ozz”, lançado a 20 de setembro de 1980.

 

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