A pomba

 

Mesmo com essa obra prima em mãos, Sharon teve muita dificuldade para negociar com um selo que quisesse financiar o projeto. Todos diziam que aquele tipo de som já estava datado e que não resultaria em nada. Porém, a Jet Records, um subselo da CBS, decidiu apostar algumas fichas no então desacreditado Ozzy e liberou para a banda US$ 65.000, uma mixaria para uma produção de grande porte. Como era pegar ou largar, o contrato foi assinado. Foi marcada uma reunião para que Ozzy apresentasse aos executivos da gravadora seu disco e a música selecionada para o primeiro single. Ozzy estava muito apreensivo no dia desta reunião e, antes dela, entornou uma garrafa de conhaque. Sharon teve uma idéia que era pra ser um tipo de "boas-vindas" e sugeriu que Ozzy soltasse três pombas brancas ao entrar na sala. Ozzy concordou. Entrou na sala sorridente e cambaleante, e sentou no colo de uma das executivas. Todos lá estavam muito receptivos e nesse momento foi colocada para tocar Crazy Train. Ozzy soltou duas pombas, mas na terceira não teve dúvidas: pegou o animal e cravou-lhe uma dentada arrancando sua cabeça e cuspindo-a sobre a mesa de reuniões. Foi uma confusão geral. Todos ficaram chocados e expulsaram o casal da sala. De tão nervosa, Sharon literalmente mijou nas calças. Aí fica a pergunta: seria Ozzy um lunático e bêbado sem noção ou um cara que sabia muito bem o que fazer para ter seu nome em evidência na mídia?

 

Ozzy Osbourne

 

Estava tudo pronto para que Ozzy desse início a esta nova fase de sua carreira e de sua vida. Uma excelente banda, um disco de altíssimo nível e uma empresária disposta a tudo para alcançar o sucesso.Inicialmente, a nova banda deveria se chamar Blizzard of Ozz, mas Sharon, mesmo sabendo que o grupo era formado por grandes músicos, tinha certeza de que Ozzy seria o centro das atenções e lançou a idéia de que o trabalho fosse assinado por "Ozzy Osbourne", deixando o para o título do disco o nome proposto para a banda. Bob e Lee colocaram alguma objeção no início mas depois a própria gravadora exigiu que essa fosse a estréia do ex-vocalista do Black Sabbath em carreira solo. No final das contas, tanto a gravadora quanto Sharon estavam mais do que certos.

Vale a pena ressaltar um trecho de uma declaração de seu amigo pessoal Tony Dennis sobre a primeira apresentação solo de Ozzy: "Lembro-me que, antes de Ozzy entrar no palco, ele me disse que não conseguiria fazer o show, pois sempre tinha o conforto dos parceiros no Sabbath. Lembro-me também que quando entrou no palco foi dominado pelo público, até que conseguiu tocar o disco inteiro e mais algumas do Sabbath. Quando acabou o show, foi mais uma vez dominado pelo público por causa da grande receptividade. Ozzy, sem saber como agradecer, começou a chorar no palco, pois a partir daquele momento ele sentiu que poderia continuar sozinho."

O disco foi um estrondoso sucesso de crítica e público. Ozzy estava de volta! Na época, obteve até mais sucesso do que a banda que o revelou. O Black Sabbath, no mesmo ano, lançou "Heaven and Hell", com Ronnie James Dio nos vocais, mas o sucesso de "Blizzard of Ozz" foi tamanho que a gravadora em menos de seis meses já estava pressionando para que fosse lançado um novo material. "Diary of a Madman”, lançado em 1981, foi gravado as pressas, mas como o entrosamento entre a banda e, principalmente, entre Ozzy e Randy estava fluindo muito bem, o resultado foi um novo clássico. Vale ressaltar também a competente produção de Max Norman, que já havia trabalhado com a banda no primeiro álbum, conseguindo um som cru e direto, mas muito bem timbrado.

 

Problemas

 

Após algumas discussões sobre porcentagens sobre direitos autorais, Bob Daisley e Lee Kerslake foram sacados da banda – aliás, os problemas com a dupla perduram até os dias de hoje. Seus substitutos foram Rudy Sarzo, ex-companheiro de Randy no Quiet Riot, e Tommy Aldridge, ex-Black Oak Arkansas. Nesse período, Ozzy estava totalmente tomado pela bebida e pela cocaína. Suas performances eram sempre um mistério, e sua vida fora do palco era a mais desregrada possível. Basta dizer que durante essa turnê ele foi preso vestido de mulher urinando em um monumento histórico do Texas e novamente se viu às dentadas com outro animal, dessa vez um morcego. Essas e outras histórias estão detalhadas na seção Curiosidades.

Apesar do respeito mútuo entre Ozzy e Randy, a relação dos dois na estrada era cheia de altos e baixos, pois Randy, mesmo admirando seu parceiro pela facilidade com que ele era capaz de criar melodias marcantes para suas composições, não tolerava o alcoolismo de Ozzy e sua dependência química. Isso, na maioria das vezes, acabava prejudicando as apresentações da banda. Ozzy, por outro lado, não se importava com isso e só queria saber de se divertir e gravar seus discos. Randy, que já havia alcançado bastante sucesso como guitarrista de Ozzy e tinha seu nome reconhecido mundialmente, gostaria que aquela fosse sua última turnê com Ozzy. Mesmo tendo muito carinho e amizade por Randy, o lunático Ozzy, ao perceber as pretensões de seu guitarrista, pirou. Dizem as más línguas que Ozzy chegou a bater no amigo quando este lhe disse que gostaria de sair da banda para se dedicar a um projeto solo e se aprofundar nos estudos da música clássica. Se a parceria iria mesmo, acabar ninguém sabe. A turnê era um sucesso e tudo poderia mudar. Só que o destino se adiantou e no dia 20 de março de 1982 Randy Rhoads faleceu em um trágico acidente de avião (veja mais detalhes sobre a morte de Randy na seção Curiosidades).

Ozzy ficou arrasado. Mesmo com todos os atritos, Randy e Ozzy haviam desenvolvido uma grande amizade. Afinal, além do choque por ter perdido uma pessoa por quem nutria grande admiração, Ozzy perdeu um verdadeiro gênio nas composições. Não sabia se conseguiria continuar. O mundo perdeu uma das maiores promessas da guitarra de todos os tempos.

Após algum tempo tentando colocar a cabeça no lugar, Ozzy, incentivado por Sharon, percebeu que precisava seguir em frente, já que a Diary of a Madman Tour ainda tinha muitas datas a serem cumpridas. Mas como encontrar um substituto para Randy Rhoads? O primeiro a encarar o trabalho foi Barnie Thormé, ex-Ian Gillan Band, que só agüentou a pressão por duas semanas. Para terminar a tour foi chamado Brad Gills, ex-Night Ranger.
Além disso, Ozzy devia um disco ao vivo para a gravadora. Alguns tapes com Randy já haviam sido gravados, porém o vocalista se negou veementemente a lançar este trabalho, já que não se sentia à vontade para ganhar dinheiro às custas da imagem de seu falecido amigo. Então, para cumprir o acordo com a gravadora, aproveitou duas apresentações no The Ritz, em Nova York, e gravou "Speak of the Devil", álbum ao vivo lançado em 1982 e que continha apenas músicas de sua época no Black Sabbath. Na verdade, esse disco foi encarado como uma espécie de resposta ao trabalho ao vivo que o Black Sabbath lançara com Dio, "Live Evil". As rusgas entre Ozzy e sua ex-banda eram notórias e amplamente divulgadas. Mas o fato é que, apesar de ser um disco fraco, "Speak of the Devil" deu um banho no "Live Evil", pelo menos no quesito vendas.

 

Jake E. Lee

 

Brad Gills estava fora e Ozzy, à procura de um novo guitarrista. Novamente, começaram as sessões de testes para a escolha do novo axeman. Ainda em 1982, chegaram a Los Angeles para as audições dois guitarristas recomendados pelo baixista Dana Strum (que também havia indicado Randy): George Linch (Dokken) e Jake E. Lee (ex-Ratt). Ozzy chegou a optar por Linch mas voltou atrás e ficou resolvido Lee seria o escolhido. Curiosamente, Jake E. Lee havia sido recentemente dispensado por Dio, que também preparava sua banda para sair em carreira solo, pois havia deixado o Black Sabbath.

Jake trouxe consigo alguns de seu antigos riffs e juntou-os a uma concepção criada por Ozzy. Também teve parte importante no processo a contribuição lírica de Bob Daisley, que estava de volta à banda, e estava pronto “Bark at the Moon”, um bom disco que seguia a receita de seus antecessores, mas que não possuía a mesma inspiração de outrora. Mesmo assim foi um sucesso, colocando Ozzy de volta em altas posições nas paradas americanas e inglesas. A turnê foi uma das mais insanas da carreira do vocalista. Uma parte dela foi dividida com o Mötley Crüe, outra banda que era bastante conhecida pelas barbaridades que cometia fora dos palcos. Foi nessa época que, diz a lenda, Ozzy, em busca de um novo barato, cheirou uma carreira de formigas.

Em 1984, Ozzy se apresentou pela primeira vez no Monsters of Rock da Inglaterra (fato que voltaria a acontecer em 1986 e 1996) e no ano seguinte desembarcou pela primeira vez no Brasil para duas apresentações no Rock in Rio. Visivelmente fora de forma, Ozzy fez o que podia no palco e, mesmo incapaz de sustentar a afinação, saciou a vontade dos carinhosamente apelidados pela Rede Globo de “metaleiros”, com clássicos absolutos de sua carreira e de versões de temas de sua antiga banda, com destaque para "Iron Man", que levou as 350 mil pessoas presentes nos dois dias do festival ao delírio.

Ainda em 1985, Ozzy teve uma reconciliação momentânea com o Black Sabbath para uma apresentação no Live Aid. Muito se especulou sobre uma possível turnê da banda, mas isso não passou pela cabeça de Ozzy, que estava em pleno processo de composição de seu novo trabalho.

Em 1986, Ozzy soltou mais um disco de estúdio, em uma nova parceria com Jake E. Lee: The Ultimate Sin. O álbum trazia um Ozzy diferente, antenado ao grande sucesso que o glam rock fazia na época. Isso se refletiu principalmente no som, que teve uma produção mais pomposa e menos pesada do que o habitual, e no visual, repleto de lantejoulas e cabelos no melhor estilo "poodle". Mesmo assim, disco e turnê foram bem, gerando inclusive um dos maiores hits da carreira de Ozzy, Shot in the Dark (em parceria com Phil Soussan). Mas o álcool mais uma vez dominava a vida de Ozzy.

Após uma breve passada na clínica Beth Ford (da qual o Ozzy se tornou um assíduo cliente), ao final da Bark at the Moon Tour Ozzy manteve apenas seis meses de sobriedade, e voltou a se intoxicar, principalmente com álcool e cocaína. Numa dessas bebedeiras, Ozzy pôs fim à parceria com Jake E. Lee, demitindo-o sumariamente no final da tour de "The Ulitmate Sin". Essa tour ainda geraria o homevideo "The Ultimate Ozzy".

Como desgraça pouca é bobagem, o ano de 1986 ainda ficou marcado pela acusação de que a música "Suicide Solution" teria induzido dois jovens a se matarem. Esse processo durou alguns anos, sendo que no final das contas ficou provada a inocência de Ozzy, que ainda declarou: "Se eu escrevesse uma letra para meus fãs se matarem, não teria hoje milhares de fãs."

No ano de 1987, um hesitante Ozzy acabou atendendo ao pedido de milhares de fãs sedentos por material ao vivo da época com Randy Rhoads e lançou, com o consentimento Dolores Rhoads (mãe de Randy), o álbum "Tribute", gravado durante os shows da Diary of a Madman Tour, de 1981. O disco também traz duas músicas da Blizzard of Ozz Tour ("Goodbye to Romance" e "No Bone Movies") e outtakes da gravação de Randy Rhoads na música "Dee", uma pequena peça com influências da música erudita que Randy gravou em homenagem à sua mãe.

 

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