Review: Black Sabbath

Tony Monteiro, da Roadie Crew analisa essa obra-prima exclusivamente para nosso site
09/05/2013

 


Por Antonio Carlos Monteiro





Onde você estava em 1970? Muito provavelmente, muitos dos prezados leitores não eram sequer um brilho diferente nos olhares de papai e mamãe, como diria o genial Paulo Francis. Porém, em Birmingham, quatro jovens na faixa dos 20 anos de idade davam, sem saber, os primeiros passos daquilo que o futuro viria a consagrar sob o nome "heavy metal". John Michael Osbourne, Anthony Frank Iommi, Terrence Michael Butler e William Thomas Ward, todos vindos da classe operária, não sabiam exatamente a revolução musical que criariam quando entraram no Regent Sound Studios, em Londres, no mês de novembro de 1969. Mas o fato é que de lá sairia Black Sabbath, disco homônimo à banda de Ozzy Osbourne (vocal), Tony Iommi (guitarra), Geezer Butler (baixo) e Bill Ward (bateria) e que o tempo consagraria sob o nome de "Volume I".



Naqueles idos tempos, este que vos fala, após passar a infância e o início da adolescência ao som de Beatles e Rolling Stones (duas paixões que mantenho até hoje), ainda não tinha travado contato com o rock mais pesado. Isso viria a acontecer no ano seguinte ao lançamento de Black Sabbath, quando ouvi pela primeira vez Killer, uma das obras-primas de Alice Cooper. O passo lógico e seguinte seria me envolver com a "santíssima trindade do peso" - leia-se: Deep Purple, Led Zeppelin e, é claro, Black Sabbath -, o que aconteceu logo em seguida. E foi aí que escutei Black Sabbath, o disco.



Não é difícil entender o sucesso do álbum. Black Sabbath conseguiu, ao mesmo tempo, conquistar os jovens e apavorar os pais - ou seja, um resultado perfeito! Mas não foi algo surpreendente. Afinal, tudo contribuía para isso - a imagem sinistra da capa, a cruz invertida no encarte (incluída pela gravadora por sua própria conta, ao lado de um soturno poema de terror intitulado "Still Falls The Rain"), a sonoridade pesada e soturna da guitarra de Tony e as letras sinistras. Para melhorar (ou piorar, conforme o ponto de vista), a faixa de abertura, que leva o nome da banda e do disco, trazia no seu riff inicial uma sequência de notas conhecida como "diabolus in musica", definição que dispensa maiores explicações...



Vida que seguiu, acabei fazendo da paixão minha profissão como jornalista especializado em rock. E em 2010, por ocasião dos trinta anos de lançamento do disco, na condição de redator da revista Roadie Crew tive a oportunidade de, junto com o Chefe de Redação Ricardo Batalha, assinar uma matéria sobre Black Sabbath que contou com entrevista exclusiva de Bill Ward, o batera que foi lamentavelmente colocado para escanteio na fase atual da carreira do Black Sabbath.



Suas memórias sobre o disco foram reveladoras, interessantes e objetivas. Além de confirmar informações sabidas e conhecidas (como o fato de o álbum ter sido gravado com tempo e grana curtos, três dias e 600 libras, respectivamente), Bill fez alguns comentários dignos de registro, como o fato de que "o instrumental e a letra da música Black Sabbath definiram uma forma diferente de se ver música." Ele também lembrou as raízes "bluesísticas" da banda na introdução com harmônica de The Wizard, faixa que vinha a seguir. "Nós viemos do blues, então foi natural que incluíssemos isso nela."



Outra revelação do batera disse respeito à faixa N.I.B. Muito se especulou sobre o que significava essa sigla e as interpretações mais conhecidas davam conta de que seria "Nativity In Black" ou "Name In Blood". Nada disso. Esse nome surgiu simplesmente por causa do cavanhaque pontudo que Ward usava na época, que se assemelhava à ponta de uma caneta tinteiro ("pen nib" em inglês).



Essa mesma música traz outra característica que se tornaria marca registrada da banda: a linha vocal acompanhando as mesmas notas do riff da guitarra. Ozzy, com a simplicidade que lhe é peculiar, declararia posteriormente que, quando não tinha uma boa ideia para a melodia, cantava aquilo que Iommi tinha escrito. Quem acha que é uma solução tosca ou primária deve dar uma boa ouvida em Iron Man antes de continuar...



E foi assim, repleto de detalhes que mostram uma completa espontaneidade da banda na confecção do disco, que Black Sabbath atingiu o merecido sucesso que ostenta até hoje, o que prova, entre outras coisas, que não ficou datado. E, não que isso interfira de alguma forma no contexto geral, mas é até hoje meu favorito dentre a extensa discografia do Black Sabbath. Afinal, é como diria Johnny Rotten: "De que adiantou Elvis Presley chacoalhar as cadeiras na televisão se uns imbecis resolveram levar o rock a sério?"


 

Fonte: Ozzy Brasil
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