Review: Paranoid

Johnny Z., da Roadie Crew, escreve sobre o segundo disco do Sabbath
13/05/2013

 


Por João Luiz Zattarelli Junior (Johnny Z.)



 



Falar do “Paranoid” é algo muito prazeroso para mim, já que minha história com o Black Sabbath é algo interessante de se contar.



Com nove anos de idade, em 1986, eu tive meu primeiro contato com o Rock/Metal ao ouvir o álbum “Somewhere In Time” (Iron Maiden) do pai de um amigo meu. Nesse mesmo dia, tínhamos outra opção só que optamos pelo Iron Maiden por ser uma capa bonita e bem feita. O outro era “Paranoid”, que por ter uma capa “feia” e sem a menor graça, resolvemos jogá-lo um para o outro numa espécie de frisbe (detalhe, com o vinil dentro).



Por ser muito pequeno, nem me dei ao trabalho de sequer escutar uma única nota daquele disco, e só me interessei na farra proporcionada ao destruí-lo em muitos pedaços numa parede.



No final daquele dia, acabei pegando o disco do Iron Maiden emprestado para ouvir com calma em casa, já que estava ocupado durante a primeira audição, mas aquele nome Black Sabbath (Sábado Negro) ficou na minha cabeça por semanas.



Em um dia eu nem imaginava que estaria ouvindo Rock, quiçá entender a importância que o Black Sabbath tinha já há muitos anos naquela época, e no outro algo diferente aconteceu comigo. Não tinha mais vontade de ouvir Michael Jackson, e só queria saber do Iron Maiden. Mas a imagem do disco do Black Sabbath violentado contra a parede me vinha na cabeça a cada minuto. Num belo dia tive um sinal maior ao sair da escola quando dei de cara com grandalhão que usava uma camiseta com a “maldita” capa idiota do “Paranoid” estampada. Tive a petulância inocente de perguntar ao rapaz se aquele disco prestava, tendo como resposta uma frase que jamais esquecerei: “Cara, depois que você ouvir esse disco sua vida nunca mais será a mesma!”.



Pensei comigo: “Agora chega!” Vou atrás desse disco. A sorte é que tinha uma lojinha bem perto de casa que vendia vinis (lembrem-se que estávamos em 1986 e não existia CD) e para minha sorte achei o dito cujo usado, sujo num canto da prateleira, à venda. Comprei-o na hora (fiado, porquê não tinha um centavo na carteira).



Chegando em casa nem almocei direito, fui correndo colocá-lo na minha vitrola velha herdada (leia-se surrupiada) dos meus avós.



Nas primeiras notas de War Pigs, me sentei atônito no chão sem saber o que estava ouvindo porque eu sinceramente imaginava algo como barulheira ou até mesmo na mesma linha que o Iron Maiden.



Ledo engano! Aquele som quase rústico e intenso foi entrando pelo meu corpo bem devagar no compasso da melodia, roubando minha alma sem dó nem piedade. Olhando na contra capa observei em se tratar de algo muito antigo, vindo do longínquo ano de 1970 e que eu estava “apenas” dezesseis anos atrasado.



A voz “daquele” vocalista me causou medo e acabei abaixando o volume numa espécie de medo infantil de não ter para onde correr ou quem chamar, mas conforme os minutos corriam eu queria cada vez mais volume, mas olhava para todos os lados com uma sensação estranha de que algum demônio poderia vir me pegar.



Com a faixa título eu simplesmente não consegui ficar mais sentado no chão e, sem saber sequer o nome dos indivíduos que estavam ali batizando mais um “servo”, empunhei minha raquete de tênis e fiz o maior show da minha vida. Nessa hora se demônios estavam por perto eu sequer dei atenção a eles e cá entre nós, tinha algo maior ali do que eles.



Mesmo com a calmaria de Planet Caravan eu consegui me libertar de tudo que ouvia antes e só queria saber de ouvir “rock”. Em Iron Man, peguei um gibi do Homem de Ferro e coloquei-o num lugar mais alto reverenciando-o como um Deus supremo, sem deixar de lado minha guitarra/raquete de tênis, obviamente. Aquele riff infantil, de certa maneira até bobo, passou em questão de segundos para algo completamente brilhante e atemporal, ecoando até hoje em minha alma e arrepiando até a última extensão de minha espinha.



Todas as faixas de “Paranoid” são clássicos absolutos e eternos dentro do Rock, e eu os considero SIM os pais do Heavy Metal. Quem ousar dizer à blasfêmia que as magistrais faixas já citadas, junto com as estupendas e geniais Electric Funeral, Hand Of Doom, Rat Salad e Fairies Wear Boots não são Metal merece ser sodomizado em praça pública.



A cada levada de Bill Ward, cada galope do baixo de Geezer Butler, cada sussurro de Ozzy Osbourne, se unindo de forma meticulosamente perspicaz com os riffs do mestre Tony Iommi, era algo que para uma criança de nove anos poderia soar amedrontador durante dias, semanas e meses. Mas não, aquilo simplesmente mudou a minha vida e agradeço imensamente a todos sinais que tive na época, e parafraseando o grandalhão, que hoje é um de meus melhores amigos, digo com todas as letras: Ouviu o “Paranoid”? FODEU! Deus, Diabo, ou qualquer entidade que você acredite, salve o Black Sabbath! Sua santidade/entidade máxima.


 

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