Review: Vol. 4

Ricardo Batalha analisa a evolução do quarto álbum do Black Sabbath
04/06/2013

 


Por Ricardo Batalha



Descobri o Heavy Metal por acaso, na passagem de 1979 para 1980, ouvindo o Volume 4 da banda inglesa Black Sabbath, a grande precursora do estilo. O disco estava largado em algum canto numa estante do salão da casa de minha família, mas nunca tinha escutado-o. Até então, o que sabia sobre o Rock me fora passado por minha mãe, que gostava de Elvis Presley, Billy Halley, Little Richards, The Platters, Paul Anka e alguns outros astros do Rock'n'Roll dos anos 50.



No Heavy Metal costumeiramente alguém mais velho, da sua própria família ou do círculo de amizades, mostra um som para você e se aquele som de guitarras pesadas o pega "de jeito" pode estar certo que fará parte de sua vida para sempre. No meu caso, como minha mãe sempre relata, sempre fui vidrado em música e desde pequeno ficava dividido entre os esportes, os estudos e a minha sagrada vitrolinha portátil. Apesar de não dançar nas festinhas de colégio, estava sempre antenado com o que estava rolando no momento, porque meu falecido pai havia sido advogado da gravadora Odeon e habitualmente levava para casa caixas e caixas de LPs de vinil, especialmente na época do Natal.



Mesmo voltando todos os esforços nos estudos e esportes (Basquetebol e Futebol), era um ouvinte esporádico de rádio. Só que mantive a paixão pelos discos de vinil. Sendo assim, animei-me e comecei a ouvir tudo que tinha em casa. Em meio a muitas coletâneas, a maioria de Disco Music do final dos anos 70, estava o álbum Volume 4, que rapidamente se tornou meu preferido. A partir daí, passei a ouvi-lo todos os dias. Se já soubesse tocar algum instrumento certamente conseguiria tocar o Volume 4 de ponta a ponta, algo que nunca aconteceu. A primeira música que consegui tocar inteira na bateria vários anos depois foi Paranoid, mas ironicamente nunca executei uma do Volume 4. Coisas da vida...



A obra



O Black Sabbath pode ter simplificado o título de seu quarto disco de Snowblind para Vol 4, mas demonstrou maturidade e evolução em relação aos álbuns que havia lançado: Black Sabbath, Paranoid e Master Of Reality. Como conseguir isto num período de excessos com drogas, álcool e o esgotamento físico é algo que só o Heavy Metal explica.



O grupo deixou a Inglaterra para gravar no Record Plant Studios, em Los Angeles (EUA). Lá, o Sabbath se fixou em uma mansão localizada em Bel-Air e que pertencia ao milionário John DuPont. A região que engloba Bel-Air, Beverly Hills e Holmby Hill forma o Triângulo de Platina de bairros de Los Angeles, onde as casas e propriedades estão entre as mais caras dos Estados Unidos. E, mesmo em meio a alguns abusos e muita farra naquele imóvel composto de vinte e sete cômodos, uma piscina imensa, salão de festas e um grande salão de jogos, o Sabbath compôs outra grande obra.



O álbum saiu a 25 de setembro de 1972, quando meu irmão - que, por outra ironia, jamais foi um fã ardoroso do Sabbath - estava com pouco mais 1 mês de idade. A abertura da obra vem em grande estilo com Wheels Of Confusion e lá está Bill Ward detonando na batera. O disco segue com a furiosa Tomorrow's Dream. Supernaut fala de drogas e só o sussurro "Cocain" de Ozzy em Snowblind dispensa comentários. Até mesmo nos 'liner notes' de Volume 4 o grupo agradece à "grande COKE-Cola Company" e o baixista Geezer Butler aparecia com o adesivo "Enjoy CoCaine" em seu baixo branco.



Os momentos calmos do disco vem com Laguna Sunrise e na balada Changes, que virou hit de rádio. Sua criação foi, no mínimo, inusitada. Tony Iommi havia exigido que fosse colocado um piano de cauda no salão de festas da mansão em Bel-Air e daí surgiu Changes, que teve a letra escrita por Ozzy em um de seus momentos de relax na piscina. Changes, que teve os teclados executados por Tony Iommi (piano) e Geezer Butler (mellotron), foi usada tempos depois no "Lado B" do single Sabbath Bloody Sabbath.



Vol 4 ainda traz Cornucopia, St. Vitus Dance e Under The Sun, típicos exemplos de onde veio o estilo Doom Metal. Os timbres dos instrumentos viraram referência e muitos músicos ainda tentam captar a essência de Vol 4, que em menos de um mês obteve o disco de ouro, posteriormente sendo o quarto disco consecutivo da banda a obter a marca de um milhão de cópias vendidas nos EUA.


 

Fonte: Ozzy Brasil
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