Treze vezes Black Sabbath!

Nosso site analisa a obra que provavelmente encerra o ciclo da lendária banda
05/06/2013

 


Por Fabiano Negri e Luis Fernando Zeferino



Trinta e cinco anos. É, provavelmente, mais tempo do que muitos de vocês, que estão lendo o texto nesse momento, têm de vida. É tempo suficiente para acontecimentos históricos que mudaram o mundo, como a queda do Muro de Berlin e o surgimento da globalização. Bandas desapareceram na mesma velocidade em que surgiram nesse tempo, outras fizeram história. Mas, para o Black Sabbath foi apenas o hiato entre o lançamento do penúltimo disco, ‘Never Say Day’, de 1978, e ‘13’, de 2013.



Muito se falou sobre o novo álbum da banda nos últimos meses. O frenesi gerado pelos fãs da banda e admiradores de música pesada em geral colocou o disco entre um dos mais aguardados dos últimos tempos.



A ‘bolacha’ carrega todos os ingredientes que credenciaram o Black Sabbath a ser o gigante que é hoje. A começar pela escolha acertada de Rick Rubin para a produção. Ele conseguiu resgatar a essência da banda, optando por manter o clima "live" na gravação e estimulando os músicos a prestarem um auto-tributo enquanto compunham. A sonoridade é crua, porém limpa e definida.



Muitos choraram a ausência de Bill Ward, e isso gerou muita comoção de algumas pessoas na internet. Sejamos francos, o problema de Bill está além da parte financeira. Quem acompanha o Black Sabbath sabe que ele há algum tempo não apresenta a mesma técnica e pegada de antes, além do mais, esta não é a primeira vez em que ele recusa um convite da banda. Quem já participou de gravações e produção musical sabe que a bateria é a parte que exige mais precisão em toda a gravação. Uma bateria ‘frouxa’ coloca todo o trabalho a perder.



Sendo assim, Bill ficou de fora e todos ficaram surpresos com a escolha de Brad Wilk, do Rage Against the Machine, para capitanear as baquetas. Podem ficar tranquilos, Brad foi a escolha perfeita para emular o som que a banda precisava. Pra falar a verdade, nem Bill Ward soaria tão Bill Ward quanto Brad nessa gravação. Suas batidas são firmes e extremamente criativas. Uma grata surpresa.



O terreno estava pronto, as lendas estavam juntas e faltava saber se a velha magia ainda estava lá. Para a nossa felicidade Ozzy, Tony e Geezer continuam sendo alguns dos maiores arquitetos do som pesado em todos os tempos. A obra é cheia de citações ao passado e carrega no saudosismo para ganhar o ouvinte logo de cara.



A soberba abertura com "End of the Beginning" faz uma clara alusão a música “Black Sabbath”, mas desemboca nas tradicionais mudanças de tempo que remetem aos tempos de ‘Vol 4’, álbum que talvez seja o mais adequado para fazer uma comparação entre ‘13’ e algo dos anos 1970.



A já conhecida "God is Dead?" dividiu opiniões quando foi lançada como single. Pode não ser o momento mais brilhante do disco, mas mesmo assim é uma excelente faixa.



“Loner” é uma música mais direta e empolgante. Nela, Ozzy começa a tirar suas cartas da manga e brilhar com melodias inspiradas, sua marca registrada. Por falar em Ozzy, temos aqui sua melhor performance em muito tempo. A produção simples trouxe uma bem-vinda vulnerabilidade em sua voz e o homem está literalmente com as vísceras a mostra em todo o disco.



“Zeitgeist” revive a órbita de "Planet Caravan". O clima é exatamente o mesmo, mas a melodia de Ozzy é preciosa e faz essa canção ainda melhor do que sua fonte de inspiração.



A partir desse ponto a porradaria começa a comer solta. Iommi e Geezer estão no auge da forma. O baixo, que está com volume igual ao da guitarra na mixagem, é um destaque à parte. Geezer toca ferozmente, com técnica e bom gosto impressionantes!



O que dizer de Tony Iommi? É uma de suas melhores performances já gravadas. A urgência gerada por sua doença acabou por resultar em momentos belíssimos. “Age of Reason” mostra todo o alicerce e a raiva do som do Sabbath na fase Ozzy. Constantes mudanças de andamento, riffs inacreditáveis e um solo que poderá daqui há algum tempo figurar como um dos melhores da carreira do canhoto, sem exageros.



“Live Forever” pode não ser um momento tão marcante, mas cumpre bem seu papel em manter o pé no acelerador. Em seguida temos o momento mais emblemático do trabalho.



“Damaged Soul” é um blues satânico que surgiu de uma jam onde todos os músicos estavam dentro da sala tocando ao mesmo tempo. Era assim que funcionava antigamente, e continua funcionando, pois temos um momento mágico. Ozzy se arrisca na gaita novamente enquanto Tony, Geezer e Brad ‘descem a mão’ em seus instrumentos, como se estivessem brincando, abusando da dinâmica e do bom gosto. A parte final da música é sensacional!



A melancólica e maravilhosa “Dear Father” fecha o ciclo com chave de ouro e temos direito a chuva, trovões e sinos no final. Os mesmos sinos e trovoadas que abriram caminho para o nascimento dos pais do heavy metal e também encerraram um ciclo. Seria o fim de uma era?



Logicamente que nem todos gostarão do disco, mas quem sabe daqui algumas décadas a opinião seja outra? Afinal, nossa cultura nos permite idolatrar obras que não são do nosso tempo e dificilmente um álbum se torna clássico em pouco tempo. Infelizmente é assim. Vivemos numa época em que pseudo críticos de internet tentam de toda a forma desmistificar os mitos, mas nós, fãs, temos que aplaudir e saudar esses senhores que demonstraram um empenho fora do comum para nos trazer esse petardo!



O Black Sabbath presenteou aqueles que acompanham a carreira da banda desde os primeiros álbuns a contemplarem um disco à altura dos velhos tempos. Presenteou, também, essa nova geração, que não vivenciou os primeiros lançamentos da banda, mas foram afortunados por acompanhar esse momento épico na história rock.



Hail Sabbath!


 

Fonte: Ozzy Brasil
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