Review: Sabbath Bloody Sabbath

Thiago Cardim, do Whiplash, analisa aquele que é considerado por muitos o melhor disco da banda
19/06/2013

 


Thiago Cardim*



 



Eu devia ter, sei lá, por volta de uns 13 anos. Já tinha manifestado um interesse claro por rock ‘n roll, à medida em que começava a formar de maneira mais madura o meu gosto musical. Mas foi nesta época, quando comecei a jogar RPG de tabuleiro nas mesas da minha saudosa cidade natal, Santos/SP, é que passei a me aprofundar ainda mais na sonoridade dos grandes medalhões do heavy metal, graças a alguns amigos mais velhos que já eram devidamente iniciados no assunto.

O nosso grupo optava muito mais por jogos de horror gótico do tipo “Vampiro: A Máscara” do que efetivamente por ambientações de fantasia medieval como “Dungeons & Dragons” – o que acabava sendo mais do que convidativo para que a trilha sonora tivesse ares mais soturnos, sombrios, obscuros. Certa madrugada, quando um dos veteranos do metal colocou “Sabbath Bloody Sabbath”, o disco, para rodar, foi uma surpresa para mim.

A faixa-título inicial eu já conhecia, assim como algumas obviedades da carreira deles, aqueles hits incontestes como “Paranoid”, “Iron Man” e “Black Sabbath”. Mas era bem pouco. Sendo completamente honesto, abrindo o coração e correndo inclusive o risco de apanhar justamente por estar postando em um site de fãs de Ozzy Osbourne, eu costumava dizer que preferia o Sabbath na voz de Dio. Mas quando “A National Acrobat” ecoou naquelas caixas de som meio velhas e acabadas, meio que me senti tomando uma porrada. E senti que aqueles seis minutos foram mais do que suficientes para me convencer de que Tony Iommi era (e, sejamos honestos, ainda é) um mestre das seis cordas. Naquele que é talvez o disco que representa o ápice do amadurecimento da banda, Iommi consegue brilhar de maneira ainda mais surpreendente.

Logo depois, levo um soco no estômago com a viajandona instrumental “Fluff” e suas passagens quase oníricas, na qual Iommi arregaça mais uma vez. Segue-se então a dobradinha “Sabbra Cadabra” (com a riquíssima camada de teclados do mago Rick Wakeman) e “Killing Yourself to Live” (elegante e ao mesmo tempo cheia de força e personalidade). E aquele adolescente estava ganho de vez. Curiosamente, lá pelo final, quando começou a tocar “Looking for Today”, o mestre do jogo colocou todos os personagens em desabalada perseguição pelas ruas de uma Chicago noir e decadente atrás do grande antagonista da história, um lorde inglês, enquanto Ozzy cantava “The pain begins to eat your pride”. Nada mais adequado.

Meus amigos mais próximos sabem que mesmo hoje, mais velho e muito mais experimentado em termos de experiências musicais diversas, ainda tendo a dizer que prefiro o Sabbath de Dio do que o Sabbath de Ozzy – cuja carreira-solo, diga-se, eu simplesmente adoro. Mas “Sabbath Bloody Sabbath” foi inevitavelmente aquele álbum que me fez encarar a formação clássica com outros olhos – e ouvidos.



 



* Thiago Cardim é publicitário e jornalista. Nerd convicto, louco por cinema e histórias em quadrinhos. Vegetariano por opção, banger de coração. É apaixonado por Queen e Blind Guardian. Mas também adora Aerosmith, Kiss, Anthrax, Stratovarius, Edguy, Manowar, Rhapsody, Mötley Crüe, Europe, Scorpions, Sebastian Bach, Michael Kiske, Jeff Scott Soto, System of a Down, The Darkness e mais uma porrada de coisas. Dentre os nacionais, curte Velhas Virgens, Matanza, Sepultura, Tuatha de Danaan, Tubaína, Ira! e Premê. Escreve seus desatinos sobre música, cinema e quadrinhos no mundodeelcid.blogspot.com.


 

Fonte: Ozzy Brasil
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